Abrir, sim. Mas em que condições?

Luciana Kezen

Luciana Kezen

35 anos, bacharel em Artes Cênicas pela UNIRIO, licenciada em Letras pela Estácio de Sá, atriz, escritora, tradutora e ávida leitora nas horas vagas.

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Semanas e semanas. Ainda não sabemos onde isso vai parar. Só sabemos que não vai parar tão cedo.

Como bons seres humanos que alguns de nós somos, conseguimos nos adaptar às mais variadas situações. Agora, estamos passando por uma grande época de adaptação. Menos problemas terão os que mais rápidos conseguirem se
adaptar à melhor situação possível.

Com o aumento de serviços drive-thru e de tele-entregas, percebemos que a demanda continua. Queremos, precisamos de certos produtos. Alguns produtos mais do que outros. Variando, principalmente, com nossas profissões e preferências particulares.

Quem não costuma gostar de ficar em casa isolada, como essa que vos escreve, tende a sentir falta de uma mudança de paisagem ou interação social. Não sofro de nenhuma das duas. Permaneço bem entre as minhas paredes com contato virtual apenas com os que me apetecem.

As salas de teatro do Rio seguem fechadas por conta da pandemia Foto: Divulgação

Todavia, não posso basear a vida só em mim. Seria divino e não prático. Drive-ins estão de volta. Assistir a um filme no conforto e isolamento do seu carro voltou a ser uma realidade em 2020. Programações ao ao livre estão acontecendo, agendadas previamente, com um número seguro de pessoas e espaço para movimentação. Enfim, finalmente, estamos indo atrás de uma maneira saudável de se encontrar em grupos.

Creio que com o vírus a solta, não só estamos relembrando dos modos básicos de higiene pessoal, como também há uma preocupação com decoro de higiene social. De um momento para o outro, nos vimos preocupados com situações não antes imaginadas. Quantas vezes estamos em uma peça, show ou cinema, um ambiente fechado e ouvimos alguém tossir? Espirrar? Estar presente com o nariz entupido ou garganta inflamada?

Este decoro de higiene social deveria valer sempre, não só em época de epidemia. Nos anos 1870, os médicos começaram a lavar as mãos e fazer assepsia antes e depois de cirurgias. Em 2020, percebemos que precisamos ter mais cuidado com nossa higiene básica no dia-a-dia. Nos lugares aonde vamos. Com os objetos que usamos. Onde sentamos. Como matemos os locais limpos, nossas roupas.

A meu ver, é importante achar formas mais seguras de nos encontrar. Sim, esse vai ser o novo normal. Aparentemente, o normal anterior não estava bom. Temos que mudar juntos, se não a mudança não ocorre. Tão importante quanto quando as casas de teatro voltarem a reabrir com menor número de assentos, é também lembrar de não sair de casa se não estamos bem. Lavar as mãos nunca foi tão importante. Deveria ter começado a ser levado a sério há mais tempo.

Tudo bem voltarmos com encontros em lugares públicos, abertos, com boa distância e segurança uns dos outros. Todos os ambientes deveriam ser assim. Talvez arenas teatrais voltem antes, faz sentido. Tenho visto mais artistas de rua do que de costume. Uma grande necessidade de se apresentar para as pessoas.

E digo mais: todo esse cuidado, que deveria ser a regra básica, me faz me sentir mais segura. Mais segura em relação à segurança dos locais. Segura em não respirar tão perto das outras pessoas. Só espero que esse cuidado e apreço seja
direcionado também aos transportes públicos. Mais lotado do que o MONOBLOCO no domingo pós Carnaval, só metro do Rio de Janeiro na hora do rush.

Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para luciana.kezen@rioencena.com.

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