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‘Baquaqua’: solo inspirado em autobiografia de homem escravizado no Brasil faz curtíssima temporada no Teatro Dulcina

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Tempo estimado de leitura: 2 minutos
Wesley Cardozo protagoniza o monólogo inspirado na única autobiografia de um africano escravizado no Brasil Foto: Fernanda Dias/Divulgação

RIO – O solo “Baquaqua” tem origem em meados do século XIX, quando foi lançada “An interesting narrative – Biography of Mahommah G. Baquaqua” (“Uma interessante narrativa: biografia de Mahommah G. Baquaqua”, em tradução livre), única autobiografia de um africano escravizado em terras brasileiras. A partir deste livro, o dramaturgo Rogério Athayde escreveu o espetáculo, cuja estreia acontece logo mais, no Teatro Dulcina, no Centro – confira o serviço completo no fim da página.

A propósito, não seria exagero afirmar que a peça só nasceu por se tratar de um caso único por aqui de um negro que conseguiu retratar a escravidão sob seu próprio ponto de vista.

— Um personagem histórico que nos convida a olhar para a memória da escravidão, no Brasil e no mundo. Só que a partir do olhar de uma pessoa que foi escravizada. Tem um olhar muito sensível desse personagem — destaca o diretor Aramís David Correia.

Em cena, Wesley Cardozo interpreta o personagem-título, que nasceu no Norte da África, no início do século XIX, e chegou a ser escravizado no Brasil. Posteriormente, foi levado aos Estados Unidos, onde conseguiu sua liberdade, em 1847, e lançou sua autobiografia em inglês, no ano de 1854, durante a campanha abolicionista norte-americana – segundo registros da edição original, Baquaqua ditou parte de sua trajetória para o escritor Samuel Moore, que foi também o responsável por editar a história dele.

E é também a partir desta história autobiografada que a peça se propõe a traçar um paralelo entre o racismo contemporâneo e as incontáveis pessoas que foram retiradas da África para serem comercializadas e escravizadas mundo afora – somente para o Brasil, estima-se que mais de 5 milhões de negros foram trazidos. Além do Brasil – onde passou por estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pernambuco – e Estados Unidos, Baquaqua, que saiu do Benin, esteve ainda em outros países, como Canadá e Haiti.

— Não é um tema fácil de se tratar. É espinhoso, é triste e é atual, pois seus reflexos ainda estão aqui hoje. Não nos livramos da escravidão; ela permanece no cotidiano de vários ‘Baquaquas’ invisibilizados da nossa sociedade. Três instâncias me motivam a ser um agente de transformação: ser ator, ser professor e ser um homem negro. E, como um agente social, tenho que levar essa história que é nossa e de nossa ancestralidade para o máximo de pessoas que conseguirmos — comenta Wesley Cardozo, que também assina a direção de produção do projeto.

Capa da edição original da autobiografia de Baquaqua, africano escravizado no Brasil e nos Estados Unidos no século XIX Foto: Bruno Véras/Divulgação

SERVIÇO

Local: Teatro Dulcina | Endereço: Rua Alcindo Guanabara 17 – Centro. | Telefone: (21) 2240-4879 | Sessões: Quinta a domingo às 19h | Temporada: 02/12 a 12/12 | Elenco: Wesley Cardozo | Direção: Aramís David Correia | Texto: Rogério Athayde, a partir da biografia de Mahommah Gardo Baquaqua e Samuel Moore (tradução de Robert Krueger) | Classificação: 10 anos | Entrada: R$ 30 (inteira); R$ 15 (meia) | Bilheteria: Não informada | Gênero: drama | Duração: 60 minutos | Capacidade: Não informada


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