Cinco meses após liberação de teatros no Rio, Sesc segue com salas fechadas e sem previsão de reabertura: ‘Preservar a saúde dos artistas, do público’

Luiz Maurício Monteiro

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Os teatros do Sesc em Copacabana (E), Tijuca e Centro (Antonio Pinheiro/Divulgação)

No dia 12 de setembro do ano passado, o então prefeito Marcelo Crivella anunciava a autorização para a reabertura dos teatros da cidade do Rio de Janeiro, desde que respeitados os protocolos de segurança contra o contágio do novo coronavírus. Passados exatos cinco meses, o Sesc (Serviço Social do Comércio) não apenas mantém suas salas fechadas, como também segue sem nenhuma previsão de retomar a programação teatral presencial, que era regular em pelo menos três unidades: Copacabana, Tijuca e Ginástico (Centro). O RIO ENCENA entrou em contato para conversar com um representante sobre tal decisão, mas a instituição preferiu responder através de uma nota.

No texto, o Sesc destaca que já vem retomando outras atividades, mas que o espetáculos de teatro seguem suspensos, mesmo com autorização da prefeitura – desde então, já foram reabertos vários teatros privados como Petra Gold, Riachuelo Rio, Clara Nunes, Vannucci, e até da rede estadual. Uma das razões citadas é a preservação da saúde de artistas, público e funcionários, já que os eventos são realizados em espaços fechados. Os números da Covid-19 – até esta sexta-feira (12) na capital fluminense, eram mais de 195 mil casos confirmados , sendo 40 mil graves, e quase 18 mil óbitos – também são mencionados como justificativa.

— … a instituição entende que, embora o poder público autorize, esses eventos (peças teatrais) ainda representam grande risco de contágio neste momento em que se registra um alto número de casos e de óbitos no estado. Trata-se de uma medida de segurança que visa a preservar a saúde dos artistas, do público e dos seus colaboradores – diz a nota (confira a íntegra no fim da página).

No comunicado, respondendo a outros questionamentos feitos pela nossa reportagem, o Sesc ainda menciona as atividades virtuais que vem promovendo durante a pandemia e também a política de ingressos populares, que será mantida quando as apresentações presenciais forem retomadas.

Os bilhetes com preços super em conta (a R$ 5, R$10, R$20…) eram interessantes para o público, mas a classe artística também tinha seus motivos para querer se apresentar no Sesc. Além do cachê pago através de contrato assinado antes do início da temporada, independentemente do que rendesse a bilheteria, a estrutura oferecida, com espaços bem conservados e equipe técnica qualificada, também era um atrativo.

Sesc Ginástico (Antonio Pinheiro/Divulgação)
Sesc Copacabana (Antonio Pinheiro/Divulgação)
Sesc Tijuca (Antonio Pinheiro/Divulgação)

Por isto, o RIO ENCENA foi ouvir alguns artistas sobre a decisão do Sesc de manter suas salas fechadas. Todos compreendem o momento delicado provocado pela pandemia, mas a falta de previsão para a reabertura divide opiniões.

— Acho legítima esta preocupação do Sesc. Faz parte do seu planejamento estratégico o bem-estar da sociedade e um olhar diferencial e preocupante no que diz respeito ao desenvolvimento social e econômico. Temos que voltar aos poucos, o teatro cura — alerta o ator e produtor Fábio França, que, no entanto, acredita que o Sesc já poderia estar pensando em reabrir suas salas: — Na minha opinião o Sesc tem condições de receber o público, artistas e técnicos com segurança. Criando critérios e protocolos para este novo normal. O teatro é fundamental para a saúde mental da sociedade, sem ele padecemos.

O também ator e produtor Alexandre Barros é mais um que entende a decisão, mas lamenta a falta de um horizonte.

— Já trabalhei muito no Sesc Copacabana e no Ginástico, e foi o melhor dos mundos. Além de uma equipe técnica impecável, eles têm uma verba destinada a apoiar os espetáculos e acreditam e contribuem para que eles aconteçam. Para a classe, é o lugar mais importante que existe. Entendo o que está acontecendo, mas é muito triste que os teatros do Sesc ainda não tenham uma previsão de retorno. O teatro carioca está intimamente ligado ao Sesc — observa.

Já Vera Novelo é mais cética quanto ao retorno, acreditando que a retomada das atividades presenciais no teatro só devem ocorrer após uma imunização em larga escala na sociedade.

— Precisamos ter a maior parte da população vacinada antes de nos expor a situações em que haja aglomeração, principalmente, em ambientes fechados. É muito ruim estar longe do teatro. Todos perdemos – os artistas, técnicos, os donos de teatro, os teatros públicos que vão se deteriorando sem o olhar do público. Mas agora é uma questão sanitária. As autoridades têm que dar uma resposta à situação. Fazer um esforço real de vacinação em massa — pede a atriz e produtora.

NOTA SESC

O Sesc RJ informa que vem retomando gradativamente suas atividades presenciais no estado do Rio de Janeiro. Os espetáculos teatrais não estão entre elas porque a instituição entende que, embora o poder público autorize, esses eventos ainda representam grande risco de contágio neste momento em que se registra um alto número de casos e de óbitos no estado. Trata-se de uma medida de segurança que visa a preservar a saúde dos artistas, do público e dos seus colaboradores.

Enquanto planeja a reabertura segura dos teatros, o Sesc RJ segue levando ao público, através das suas redes sociais, programação de qualidade nas artes cênicas e outras linguagens com o projeto Arte em Cena. E vem disponibilizando a estrutura dos seus equipamentos culturais para que artistas gravem seus projetos contemplados na Lei Aldir Blanc.

No que se refere à valoração dos ingressos, o Sesc RJ mantém sua política de acessibilidade aos bens culturais. Quando da reabertura dos seus teatros, seguirá praticando preços reduzidos, em especial aos trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo, e oferecendo o acesso à cultura de forma gratuita às camadas menos favorecidas da população por meio do seu Programa de Comprometimento e Gratuidade (PCG).

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