Coronavírus: ‘temos que pensar como poder público pode reduzir prejuízo’, diz presidente da Aptr sobre paralisação

Luiz Maurício Monteiro

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

Foto: Reprodução/Internet

Feito o comunicado da paralisação de eventos culturais no estado do Rio de Janeiro, inclusive apresentações de teatro, o momento é de juntar os cacos. Ou seja, pensar em formas de minimizar os prejuízos, afinal, dezenas de peças estavam em plena temporada, muitas com ingressos já vendidos, quando o governador Wilson Witzel assinou na tarde desta sexta-feira (13) um decreto que torna inviáveis eventos que proporcionem aglomeração de pessoas, o que poderia agravar a epidemia do novo coronavírus por aqui.

Em conversa com o RIO ENCENA, Eduardo Barata, presidente da Aptr (Associação dos Produtores de Teatro do Rio), revelou que deve se encontrar ainda neste fim de semana com demais produtores para que sejam pensadas soluções a serem levadas ao poder público estadual.

Eduardo enfatiza que a classe artística – pelo menos a maior parte dela – entende que a decisão do governo foi acertada, mas diz que propostas precisam ser pensadas para que sejam reduzidos os impactos financeiros nas produções.

— Temos que acatar, mas também temos que pensar como o poder público pode reduzir o nosso prejuízo… Está tudo muito recente, então é o momento de entender o que está acontecendo. Entender que opções podemos dar ao poder ao público — explica.

Confira a entrevista completa abaixo:

Eduardo Barata, presidente da Aptr Foto: Cristina Granato;Divulgação

Como você vê essa paralisação de pelo menos 15 dias do teatro e da cultura em geral no Rio?
Primeiro, fizemos uma reunião na quinta (12), com representantes de secretarias municipais e estaduais e produtores, e decidimos algumas orientações de como deveriam funcionar os espaços culturais nesse fim de semana diante desta realidade que tem nos cercado, que é o coronavírus. Quando recebi a convocação para a reunião com governador imaginei que algo poderia mudar. E o poder público estadual está orientando a sociedade carioca e fluminense para que não haja aglomeração. E a população tem que acatar, até porque não é uma questão política, não é PT ou Bolsonaro… É uma questão de saúde. Mas também é verdade que o prejuízo para a cultura está sendo enorme. Afinal, o fazer teatral, os shows, cinema… São linguagens que precisam da presença do público. Foi uma situação abrupta, porque nós estávamos esperando essas medidas apenas para a semana que vem. Mas acredito que o nosso poder público não seria irresponsável de colocar esta decisão agora se não houvesse um porquê. Temos que acatar, mas também temos que pensar como o poder público pode reduzir o nosso prejuízo.

E vocês produtores já têm algum esboço de solução para apresentar ao poder público no intuito de minimizar este prejuízo?
Não, fomos pegos de surpresa. Estamos pensando em alternativas. Vamos tentar nos reunir ainda hoje (14) ou amanhã ou até segunda para debater propostas. A (produtora) Bianca de Felippes chegou a sugerir um encontro com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para pensar empréstimos ou financiamentos para os pequenos e médios produtores, que não têm fluxo de caixa. No momento, temos que pensar em todos: grandes, pequenos e médios. Mas temos que verificar como! Vamos tentar nos reunir para pensar. Está tudo muito recente, então é o momento de entender o que está acontecendo. Entender que opções podemos dar ao poder ao público.

E a ideia é convidar algum representante do governo estadual para esta reunião?
Não, só os produtores mesmo.

É possível mensurar estes prejuízos?
Diversos eventos que aconteceriam com casa lotada nesse fim de semana foram cancelados. Estreias que aconteceriam, mais de 60 espetáculos estariam em cartaz só na cidade. Contando o estado, seria muito mais. Enfim, é muita gente envolvida? E quem não tem patrocínio e vive de bilheteria? Como vamos fazer com os técnicos, com todas estas pessoas? É um valor muito alto. Mas é impossível mensurar

Quais tem sido as reações de produtores e artistas com quem você já conversou?
As pessoas estão assustadas não só com o decreto, mas com a situação. É uma questão mundial, não só do Rio de Janeiro. Mas quem vai contrariar uma decisão do poder público? È uma questão não política, de direita ou esquerda, mas de ciência, de saúde. Claro que o pessoal ficou chateado com os prejuízos, mas que seguir. Tem que preservar o cidadão, o carioca, o fluminense, o brasileiro. Se o sistema de saúde não dá conta agora, imagine com uma epidemia maior?

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