Covid-19: com plano para reabertura da cidade lançado, Secretaria de Cultura ainda não tem protocolo para teatros

Luiz Maurício Monteiro

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

O secretário de cultura Adolpho Konder Foto: ASCOM/SMC-RJ

A prefeitura do Rio de Janeiro iniciou na última terça-feira (02) um plano de reabertura gradual da cidade. Dividido em seis fases, o cronograma prevê uma nova diretriz – afrouxamento, estagnação ou recuo – no isolamento social a cada 15 dias, dependendo da análise no números de casos confirmados e mortes por Covid-19. Nas cinco primeiras etapas, a cultura aparece com a legenda “aberto com restrições” e somente na sexta – que se dará em agosto, caso haja sempre um avanço na retomada das atividades – é que os espaços culturais poderiam abrir sem restrições, seguindo apenas as chamadas regras de ouro (máscaras, álcool gel, limpeza redobrada e distanciamento). A fim de esclarecer como tais determinações se aplicariam especificamente aos teatros, o RIO ENCENA procurou a Secretaria Municipal de Cultura (SMC), que, no entanto, ainda não tem uma posição sobre o assunto.

Nossa reportagem pediu à assessoria de imprensa uma entrevista por telefone com o secretário de cultura Adolfo Konder ou outro representante. No entanto, o órgão retornou apenas com um e-mail afirmando que “os protocolos de retomada encontram-se em fase de elaboração”. A assessoria ressalta ainda que a SMC se pronunciará oficialmente a respeito de quaisquer modificações futuras no processo. As incertezas para profissionais e frequentados das salas teatrais da capital fluminense, portanto, permanecem.

De acordo com o plano de retomada disponibilizado pela própria prefeitura em seu site, os teatros seguem fechados, mas nas fases 1 e 2 – ou seja, desde terça-feira – ingressos para eventos culturais já podem ser comercializados pela Internet ou em terminais de autoatendimento. Fica então a dúvida se teatros já poderiam estar vendendo bilhetes para suas futuras temporadas. Ou a medida se aplicaria, por exemplo, apenas aos cinemas drive in, que estão sendo montados na cidade e são mencionados no projeto da prefeitura?

Na fase 3, serão liberadas atividades, desde que em espaços abertos, com um terço da capacidade e distância de 4m² entre as pessoas. Para o segundo semestre, que começa em julho, quando esta etapa talvez já esteja vigorando, o Teatro Prudential pretende realocar seus assentos em uma área a céu aberto que fica atrás do palco. Já seria possível então montar peças lá?

Para a fase 4, ou seja, possivelmente bem no início de agosto, as salas serão abertas com um terço da capacidade e o distanciamento de 4m². Na etapa 5 (talvez ainda em agosto), a restrição cai para dois terços – ainda com a mesma distância.

Plano de retomada gradual da cidade elaborado pela prefeitura (Divulgação)

Além de deixar dúvidas quanto ao retorno da programação cultural na capital, o projeto da prefeitura ainda vai de encontro a outras previsões quando o assunto são espaços fechados e que proporcionem aglomerações como teatros. Por exemplo, no famoso circuito teatral da Broadway, em Nova York, onde o pico da pandemia chegou bem antes – aqui, especialistas acreditam que ainda nem chegou – a expectativa para reabertura das salas é o mês de setembro.

infectologistas, há pouco mais de 10 dias, disseram ao RIO ENCENA que não imaginavam as salas cariocas abrindo antes de setembro. A justificativa para tal visão é a chamada curva de crescimento no número de casos confirmados na cidade, considerada o epicentro da pandemia no estado, que vinha na crescente naquele momento – e, desde então, tem apresentado números diários cada vez maiores, com um total de mais de 33 mil infectados e mais de 1.700 óbitos confirmados só na quarta (03), segundo a Secretaria Estadual de Saúde.

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