Dirigido por Amir Haddad, solo ‘Riobaldo’, adaptação do clássico ‘Grande Sertão: Veredas’, faz curta temporada online

Do Rio Encena

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Gilson de Barros atua e assina a adaptação do romance para o palco (Renato Mangolin/Divulgação)

Um dos maiores clássicos da literatura brasileira, “Grande Sertão: Veredas” (1956) volta e meia deixa de se limitar aos livros para ser adaptado para os palcos Brasil afora. Mais um exemplo deste movimento é “Riobaldo”, monólogo dirigido por Amir Hadadd e batizado com o nome do protagonista do romance de João Guimarães Rosa (1908-1967), que inicia uma temporada na plataforma digital Sympla Streaming nesta terça-feira (04), às 19h. A temporada online acontece dois meses após a presencial, que aconteceria em março no Teatro Laura Alvim, ser cancelada por causa de decreto municipal no combate à pandemia.

Sozinho em cena, o ator Gilson de Barros também assina a adaptação teatral da obra de 600 páginas – sem divisão por capítulos – já traduzida para diversos idiomas, como inglês (1963), francês (1965), espanhol (1967), italiano e, mais recentemente, alemão (2020). Narrador de toda esta história que se passa no sertão, Riobaldo, um ex-jagunço que virou um rico fazendeiro, rememora suas batalhas, medos e, principalmente, romances, inclusive aquele com Diadorim, seu companheiro de armas. Este, aliás, é o recorte destacado pelo solo.

Através deste relacionamento homoafetivo, Riobaldo entra para vida de jagunço e passa a ter mais conhecimento da natureza e do humano. Entre uma passagem de tempo e outra, conhece o amor carnal e sem julgamentos junto da prostituta Nhorinhá, Mas é com Otacília, a esposa, que conhece o amor puro e é resgatado do pacto com o diabo, tornando-se um ‘homem de bem’.

— Riobaldo é um dos personagens mais complexos da nossa literatura. Traduzir para o teatro a narrativa poética de Guimarães Rosa é, talvez, meu maior desafio profissional. Mas, como diz o personagem: ‘o que a vida espera da gente é coragem’. Saltei nesse universo de coração aberto. Espero conseguir tocar as pessoas, com meu teatro, da mesma forma que o livro toca a todos que o leem — complementa Gilson de Barros.

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