Distanciamento entre os atores, máscara em cena… Ator Isaac Bernat conta como será volta ao teatro em meio à pandemia

Luiz Maurício Monteiro - Atualiza em 24/11 às 10h26

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

Isaac Bernat em cena com Carolina Pismel (E) e Ruth Mariana Foto: Paula Kossatz/Divulgação

À beira de chegar aos 40 anos de carreira – a serem completados em 2021 – Isaac Bernat atravessa um momento inusitado na vida profissional: a expectativa de retornar aos palcos após uma parada de nove meses forçada pela pandemia. E a data já está até marcada, será no dia 02 de dezembro*, com o espetáculo “Pá de Cal (Ray-Lux)”, no CCBB. A volta, claro, será cercada por todos os protocolos de prevenção contra a Covid-19, inclusive, durante as apresentações!

As precauções, como realização semanal de testes na equipe, distanciamento e uso da faceshield, que já estão sendo adotadas no período de ensaios, seguirão no palco depois que o sinal soar pela terceira vez.

— A gente conversou e topou voltar, desde que houvesse um protocolo de segurança. Todo mundo está focado em não correr riscos, sem atropelos. Estamos mantendo o distanciamento, não entramos juntos no elevador, por exemplo… Nos ensaios, estamos refazendo algumas marcações que eram muito próximas. Em suma, ninguém se toca (risos). Estamos usando máscaras para transitar pelo CCBB. E até mesmo em cena, todo mundo vai estar usando a faceshield – explica Isaac, que é professor na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras), onde implementa os mesmos cuidados: — É outra maneira de trabalhar.

Já sobre o atual panorama da pandemia, que não permite uma volta mais tranquila das atividades, o ator adota um tom crítico:

— Acho que todo mundo, a principio, estava esperando a pandemia acabar. Mas está durando muito. Se tivesse o exemplo de cima, a situação hoje poderia ser outra. Estamos pagando o preço agora — lamenta.

Pedro Henrique França (E), Orlando Caldeira, Carolina Pismel e Isaac Bernat
Isaac Bernat (alto), Carolina Pismel e Orlando Caldeira
Carolina Pismel (E) e Ruth Mariana
Carolina Pismel e Isaac Bernat Fotos: Paula Kossatz/Divulgação
Ruth Mariana (alto), Issac Bernat e Carolina Pismel
O elenco completo de "Pá de Cal" em cena

Antes da paralisação, Isaac, Carolina Pismel, Orlando Caldeira, Pedro Henrique França e Ruth Mariana, dirigidos por Paulo Verlings, estrearam “Pá de Cal”, mas fizeram apenas duas apresentações no CCBB – onde, aliás, o cenário ficou montado durante todo este período. Agora, com a retomada dos ensaios, aquele trabalho no início do ano tem ajudado a superar as barreiras impostas pela pandemia.

— Artista é danado, criativo, se reinventa… Minha filha, Julia Bernat, está na Suíça fazendo uma peça, ensaiando do começo, e me disse que está indo bem. Mas acho que quem já estava em cartaz antes da parada tem mais facilidade na preparação, nos ensaios. A gente está relembrando, redescobrindo muita coisa, mas já conhecia a peça, o texto… — salienta.

Por falar no texto de “Pá de Cal” – produção da Cia. Teatro Independente, que estão comemorando 14 anos de estrada – Jô Bilac escreveu a história de um família abalada pela morte precoce do caçula. Depois do trágico acontecimento, as irmãs do jovem e a mãe – uma ex-empregada – não comparecem a uma reunião que deve definir os rumos do clã, preferindo enviar representantes. Com isto, o espetáculo trata de como a terceirização de responsabilidades pode interferir na boa condução de questões delicadas.

Intérprete do pai – o único familiar a estar na tal reunião – Isaac chama atenção para um outro tema levantado na montagem: o suicídio, a causa da morte do jovem personagem. Para o ator, este é um tipo de situação que só cabe a cada família que a enfrenta decidir como lidar.

— Você viu o que aconteceu com naquele caso da vacina? (a polícia apurou que um voluntário da vacina CoronaVac que morreu, teria se suicidado) Obviamente que a família não queria falar, porque machucou. É sofrido para a família, mas o silencio, às vezes, pode trazer mais dor. Não existe fórmula de como deve ser feito. Até tem uma fala minha no espetáculo em que digo “presume-se que 90% dos casos de suicídio poderiam ser evitados”. Casos reais… É muita coisa! E isto acontece, talvez, porque as pessoas guardam para si, ou porque agente não percebe o problema. É um tema importante, e o Jô foi muito feliz ao falar disto – encerra.

Outros cuidados

Além das prevenções adotadas por parte da produção, o próprio CCBB também estipulou medidas de combate à proliferação do vírus em suas dependências neste período de reabertura. Só está sendo permitida a entrada de quem fez agendamento online; há o controle da quantidade de pessoas no prédio e do fluxo único de circulação; todos que entram no centro cultural têm a temperatura aferida; o uso de máscara é obrigatório; álcool gel é disponibilizado; os pisos estão sinalizados para o distanciamento; e a capacidade foi reduzida para 50%, com higienização completa antes de cada apresentação e distanciamento de dois metros entre as poltronas.

*Inicialmente, a estreia aconteceria no dia 26 de novembro. A atualização já está feita.

 

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