Em tempos de pandemia, Festival Midrash é boa pedida online com programação riquíssima

Aza Njeri

Aza Njeri

34 anos, doutora em Literaturas Africanas, pós-doutora em Filosofia Africana, pesquisadora, professora, multiartista, crítica teatral e literária, mãe e youtuber.

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

No último domingo (17), começou o Festival Midrash de Teatro, uma edição 100% online com mais de 30 espetáculos. Diariamente, no canal do Centro Cultural Midrash no TouTubr são apresentadas diferentes obras, e a programação está riquíssima contando ainda com leituras dramáticas e discussões sobre a cena.

Eu comecei o festival assistindo a “Um Tartufo”, da Cia. Teatro Esplendor, com direção de Bruce Gomlevsky. O espetáculo inspirado em Moliére foca nas ações físicas, ausentando-se de texto. Recheado de referências contemporâneas, traça a conexão entre o poder religioso, político e armado dialogando com a realidade brasileira e suas bancadas da bíblia e da bala, além do racismo religioso que advém do fundamentalismo criticado na obra. Impossível não pensar nos vários tartufos deste território. A escolha por uma estética que bebe no expressionismo alemão traz um toque novo ao deslocar da tragicomédia o tom da peça.

Assisti também a “A Mulher que Sonhava”, uma experiência teatral online da Cia. Dobra, com texto, direção e elenco de Helena Marques e Matheus Lima. Misturando audiovisual, gestos, narração e música, a performance apresenta novas maneiras de incorporar o online na linguagem teatral, com experimentos que trazem poesia e movimento. A cena da chuva e seu desdobramento com a água fazendo ponte com o útero e a vida ficou bonita e poética. Sua estética se inspira no realismo fantástico que agrega um tom onírico às reflexões existenciais da personagem. É uma obra sobre a vida.

Com toda a programação online, nenhuma atividade estão acontecendo no Midrash Foto: Flavio Colker/Divulgação

O festival vai até dia 07 de fevereiro (confira a programação completa aqui) e traz peças importantes como “O Astronauta”, com Eriberto Leão e “Marche, Marsha”, com Alex Mello. E aproveito para deixar a sugestão de alguns títulos que já assisti em outras ocasiões e que passarão por lá: a belíssima “Meus Cabelos de Baobá”, de Fernanda Dias; a sensível “Amor Preta”, de Adrielle Vieira; a engraçada “Fragmento de um Sorriso”, de Vilma Melo; e a questionadora “Ar Fresco”, de Dani Câmara. O festival é uma boa pedida para os amantes de teatro que ainda não se sentem seguros à irem aos espetáculos presenciais como eu. Está imperdível.

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