García Lorca: drama inspirado na vida e obra do dramaturgo espanhol faz curta temporada no Teatro Candido Mendes

Rio Encena

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O espetáculo fica em cartaz até o próximo dia 27 Foto: Renato Miguel/Divulgação

Embora tenha vivido pouco, o poeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca (1898-1936) deixou um legado, que segue inspirando produções artísticas mundo afora mesmo décadas depois de seu falecimento. E no caso de “Proibido”, que faz temporada presencial (com 50% da capacidade, máscara e aferição de temperatura) no Teatro Candido Mendes a partir de sexta-feira (04), o objeto de estudo não é só sua obra, mas também sua vida, que foi interrompida sob circunstâncias misteriosas na época da Guerra Civil Espanhola.

O recorte da obra de Lorca que serve de gatilho para o espetáculo de Humberto Assumpção (ele assina direção e texto) é a Trilogia da Terra Espanhola, composta por “Bodas de Sangue”, “Yerma” e “A Casa de Bernarda Alba”. A partir destes textos, os atores entram numa arena para abordar, com poesia, música e dança, temas recorrentes nas linhas escritas pelo espanhol, como o luto, a dor, a paixão e a terra – no caso, a terra de Andaluzia, onde nasceu.

Ao tratar destes temas, o elenco conta três pequenas histórias que foram escritas há um século, mas são atemporais. São elas: um casamento que, pouco após ser celebrado, termina em duas trágicas mortes; uma mulher que deseja um filho, mas convive com a indiferença do marido; uma casa onde mulheres em luto são privadas de liberdade, sem autonomia ou alegria.

Fora a trilogia, “Proibido” traz à cena também a vida de Lorca, um defensor do matriarcado, a cultura mulçumana na Espanha, dos ciganos e dos homossexuais. Ele foi uma das mais de 1 milhão de vítimas da guerra civil desencadeada pelo ditador General Francisco Franco, mas a verdadeira motivação para sua execução nunca foi esclarecida: enquanto uma linha de investigação aponta para questões pessoais (sua orientação sexual, por exemplo), outra segue na direção de posições políticas – ele seria um apoiador da Frente Ampla, opositora da ditadura.

O espanhol Federico García Lorca Foto: Reprodução/Internet

Em 2015 – 79 anos após sua morte – o jornal britânico The Guardian teve acesso a documentos de 1965 que confirmam que o dramaturgo foi assassinado, de fato, a mando de Franco. No registro feito pela polícia em 1936, há a seguinte afirmação: “imediatamente executado após ter confessado, e enterrado neste local, em uma cova rasa”. Porém, não fica esclarecido o que Lorca teria confessado.

Os mesmos documentos – publicados graças a um pedido feito em junho de 1965 por uma amiga de Lorca, a escritora francesa Marcelle Auclair – descrevem o espanhol ainda como “socialista e maçom, que participava de práticas homossexuais e anormais”.

Enquanto vivo, Franco garantia que seu regime não perseguira Lorca que sua morte foi um “acidente comum em guerra”, mas para o biógrafo Ian Gibson, os documentos publicados em 2015 são categóricos:

— Mostram que não foi uma morte de rua, ele foi preso pelo governo e morto. Eles mesmos dizem isso — disse na época.

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