Gestor do Petra Gold avalia como positivo período pós-reabertura, garante sequência em janeiro, mas admite incerteza sobre o público: ‘Pessoas inseguras’

Luiz Maurício Monteiro

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O Teatro Petra Gold o foi o primeiro a receber público novamente após o aval da prefeitura

“Super positivo”! Assim, André Junqueira, ator e curador do Teatro Petra Gold (antigo Leblon), avalia os pouco mais de dois meses de funcionamento da sala desde a reabertura, no dia 2 de outubro, após o fechamento por conta da pandemia. Afinal, aponta ele, está na casa dos 80% a média de ingressos vendidos por sessão dos cerca de 40 que têm sido postos à venda – atualmente, a capacidade de 400 lugares do espaço foi reduzida em 10% por causa do distanciamento. Porém, daqui para frente, o gestor prefere não criar muitas expectativas sobre a manutenção de tal ocupação! Com os atuais números da Covid-19 no Rio de Janeiro – segundo o governo estadual, 24.351 óbitos, 402.480 casos confirmados e cerca de 85% do leitos de UTI ocupados – e a incerteza quanto ao início da vacinação em massa por aqui, o artista admite que é difícil prever como será o comportamento do público no início de 2021.

— O público está comparecendo, tem gente vindo mais de uma vez, assistindo a todos os espetáculos… Mas isto, eu falo a respeito de novembro, dezembro… Sobre janeiro, eu já não sei, porque as pessoas estão ficando mais inseguras, na expectativa se a vacina sai ou não — pontua André Junqueira, em entrevista ao RIO ENCENA, garantindo, porém, que a sala permanecerá aberta no próximo mês: — A prefeitura liberando, a gente continua como está.

O “como está” a que André se refere é o conjunto de medidas de segurança adotado pela administração do Petra Gold contra o vírus. Os protocolos vão desde os básicos, como uso obrigatório de máscara e aferição da temperatura, até uma drástica redução na capacidade a fim de garantir o distanciamento entre os espectadores (a transmissão das peças pela Internet é outra iniciativa pró-afastamento) .

E assim tem sido desde que a sala voltou a receber público – foi a pioneira, reabrindo menos de um mês após o aval da prefeitura – para assistir a diversos espetáculos, muitos de artistas renomados. Portanto, Marcelo Serrado, com o seu “Os Vilões de Shakespeare”, e Maitê Proença, protagonista de “O Pior de Mim”, por exemplo, nunca chegaram a ter mais do que 40 pessoas na plateia devido ao corte na capacidade.

André Junqueira é o curador do Petra Gold

Com a consequente queda no arrecadamento na bilheteria, André chama atenção para a participação fundamental do patrocinador do teatro com as despesas desta retomada. Iniciativa esta que o artista gostaria de ver em outros espaços culturas, como comenta na entrevista abaixo:

Que balanço você faz sobre estes pouco mais de dois meses da reabertura do teatro?
O balanço até agora é super positivo. Todos os artistas que convidamos toparam na hora, gostaram do modo como estamos fazendo, com todos os critérios de segurança… A princípio, nenhum imprevisto, nenhum problema com relação à pandemia. O público está comparecendo, tem gente vindo mais de uma vez, assistindo a todos os espetáculos… Mas isto, eu falo a respeito de novembro, dezembro… Sobre janeiro, eu já não sei, porque as pessoas estão ficando mais inseguras, na expectativa se a vacina sai ou não. De qualquer forma, essa reabertura foi uma esperança neste momento conturbado que atravessamos. Serviu para continuarmos acreditando que vai ser possível voltar ao teatro quando for a hora certa, voltar a ter esperança em meio a este momento obscuro.

Você falou sobre janeiro… O teatro continua aberto neste mesmo esquema após a virada do ano?
Vai continuar aberto. Inclusive, já estamos pautando espetáculos para o mês que vem. Mas sempre nesse meio termo, com estas medidas. A prefeitura liberando, a gente continua como está, num ritmo que eu chamo de lento. A gente espera aumentar a capacidade, mas só quando tiver a vacinação em massa. E isto não tem como prever quando vai acontecer, se vai ser no meio do ano, no fim do ano… Eu, como todo mundo, estou nesse limbo, aguardando…

O palco da sala voltou a receber espetáculos em 2 de outubro Fotos: Divulgação

Sobre as finanças, a bilheteria não deve estar sendo o forte, devido à redução na capacidade. É o patrocinador do teatro que tem arcado com as despesas, como os salários dos funcionários, por exemplo?
Como temos só 10% da capacidade, é humanamente impossível arcar com as despesas. Então, agradecemos ao Eduardo Braule Wanderley, CEO do Grupo Petra Gold, que vem abraçando esta causa. Eu sempre enfatizo a participação deles, porque é através de verba direta, eles não têm incentivo fiscal, Lei Rouanet, nem nada. É recurso do marketing que eles destinam ao teatro e até às produções dos espetáculos, que chegam e não arcam com nada.

E sobre a retomada da cena teatral do Rio de um modo geral. Você acha que este movimento está muito tímido? São poucos os teatros reabertos mesmo após dois meses da liberação da prefeitura?
Às vezes, os teatros querem reabrir, mas faltam espetáculos para se apresentarem, porque as produções não têm como sobreviver com essa bilheteria reduzida. Os teatros particulares, que têm patrocínio, estão tentando reabrir e se manter. Os públicos, do Município e do Estado, podem até reabrir, mas os artistas não têm como ocupar. A verba da Lei Aldir Blanc ainda não saiu. O Laura Alvim, eu soube que vai reabrir, com um pequeno aporte financeiro, mas só com apresentações presenciais. Ou seja, no máximo, a metade da capacidade disponível. Então, não sei se vai sobreviver. E esta lentidão ainda vai perseverar, porque, economicamente, o país está debilitado. O estado, então, nem se fala. Por isto, repito sempre sobre a iniciativa do Grupo Petra Gold, porque se isto estimular outros empresários, talvez tenhamos mais teatros reabrindo em breve.

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