Gestora do Teatro Clara Nunes faz balanço de retomada e explica decisão de reabrir para público infantil: ‘Crianças prejudicadas com tanto tempo em casa’

Luiz Maurício Monteiro

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

O Teatro Clara Nunes reabriu no último dia 10 de outubro Fotos: Divulgação

A reabertura dos teatros no início do mês dividiu opiniões, tanto na população quanto na própria classe artística. A retomada das aulas nas escolas, idem. E teatros que recebem justamente crianças em suas poltronas em meio à pandemia? Se houve críticas, estas não chegaram aos ouvidos de Lidy Marx, administradora do Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, que no último fim de semana reiniciou sua programação com “Um Musical Congelante II – A Jornada”. A repercussão do retorno, a propósito, surpreendeu positivamente a gestora, que revela uma motivação especial para ter optado por um infantil para voltar com a sala, que, tradicionalmente, já recebe muitas peças direcionadas à criançada:

— As crianças estão prejudicadas com tanto tempo em casa. Não aguentam mais. A criança tem energia, precisa sair, ver o mundo. Por isso, vejo o teatro infantil quase que como uma coisa necessária agora. E os próprios pais querem levar os filhos para se distraírem. Em enquetes nas redes sociais do teatro, 90% das pessoas queriam um infantil para essa reabertura. E escolheram “Um Musical Congelante”, que estrearia no teatro em abril. O adulto abre mão, pode se divertir em casa, deixa para sair só para coisas extremamente necessárias. Mas com crianças é diferente. Não dá para deixá-las só em YouTube, NetFlix. E, surpreendentemente, não recebemos críticas por apresentar um infantil — destaca Lidy, que viu outros dois teatros do shopping reabrirem também para as crianças: o das Artes e o Vannucci.

Outro motivo que fez a administração do Clara Nunes reabrir foi o mesmo que proporcionou a retomada de outros setores após meses de inatividade: a economia.

“Um Musical Congelante II” foi a peça infantil escolhida para a reabertura do Clara Nunes

— As contas não param de chegar… Então assim… as autoridades liberaram, nós não estamos fazendo nada com o pé na porta. A gente precisa continuar a viver. É preciso reabrir, não dá mais para manter o teatro fechado. O público estava pedindo, e a gente precisa gerar renda. Com todos os cuidados, é claro, mas é preciso fazer a economia girar dentro das medidas de segurança, assim como fazem academias, restaurantes, shoppings. Quem tá criticando não vai pagar as contas do teatro — pontua Lidy, completando: — A gente está no mundo do “mimimi”, não é? Vi o shopping sofrer críticas quando reabriu. Mas foi isso que impediu os lojistas de falirem, os funcionários de serem demitidos…

Ainda sobre a reabertura da sala no último fim de semana – que ainda teve o Dia das Crianças na segunda – Lidy considera o saldo positivo. Nada de incidentes e, inclusive, com uma presença de público acima do esperado, algo entre 80 e 100 pagantes. Já para este sábado e domingo, a gestora espera um cenário ainda mais favorável, com papais e mamães mais encorajados a levarem seus filhos ao teatro, principalmente pelas medidas de segurança adotadas por lá.

Dos 750 lugares da sala, um máximo de 50% estão sendo disponibilizados ao público

Dos 750 lugares do espaço, um máximo de 50% estão sendo disponibilizados ao público. Para manter um afastamento seguro entre os espectadores, cada família tem a distância de duas cadeiras vazias à frente, atrás e nos lados. Já os ingressos são vendidos apenas pela Internet para que se evite filas na bilheteria. Isso sem falar, lógico, no uso obrigatório das máscaras e na disponibilização de álcool em gel pelas dependências da sala.

— As pessoas vão perdendo o medo por verem que todas as medidas estão sendo tomadas. Existe uma doença no mundo, então não dá para fingir que está tudo bem. A gente precisa reabrir, mas com todo o cuidado. Uma tradição é os atores circularem pelo shopping com seus figurinos para panfletarem. A gente não permitiu porque sabe que isso pode gerar aglomeração. Principalmente com crianças. E para incentivar o uso de máscaras entre elas, a gente organizou até um concurso para eleger a máscara mais bonita. Acredito que o segundo fim de semana vai ser melhor, e o terceiro ainda melhor e assim por diante — encerra Lidy.

SERVIÇO

Local: Teatro Clara Nunes
Endereço: Shopping da Gávea – Rua Marquês de São Vicente, Nº 52 – Gávea.
Telefone: (21) 2274-9696
Sessões: Sábados e domingos às 16h
Período: a partir de 10/10
Elenco: Karlla Guimarães, Anna Paula Guimarães, Danilo Monteiro, Gabriela Salman, Camila Argolo, Marianna Carvalhosa, Cecília Albuquerque, Gabriella Silva, Yago Chaves, Willian Chaves, Fred Trotta e Yuri Bonfim
Direção: Fred Trott
Texto: Fred Trott
Classificação: Livre
Entrada: R$ 70 (inteira); R$ 35 (meia)
Funcionamento da bilheteria: Não informado
Gênero: Musical infantil
Duração: Não informada
Capacidade:Até 50% da capacidade de 750 lugares

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