Grupo Bestas Urbanas promove projeto virtual no Instagram inspirado em espetáculo adiado pela pandemia

Do Rio Encena

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Os vídeos no Instagram são inspirados no texto da peça que estrearia após a pandemia Foto: Reprodução

O Grupo Bestas Urbanas estava se preparando para estrear seu mais novo espetáculo, batizado “Só percebo que estou correndo quando vejo que estou caindo”, mas os planos precisaram ser modificados, devido à pandemia do novo coronavírus e a consequentemente interdição dos teatros. A trupe, porém, não ficou parada e, atualmente, assim como muitos artistas, está usando a Internet para realizar um novo projeto, que, aliás, é inspirado na montagem cuja primeira temporada foi adiada.

A iniciativa se chama “Ideias para uma encenação futura” e consiste numa série de vídeos que supõem as cenas da peça durante a quarentena. Os episódios são lançados quinzenalmente na página do grupo no Instagram, sempre às quintas-feiras.

— Este projeto é uma continuação, agora no ambiente virtual, do espírito do grupo de compartilhar nossa criação com o público e não apenas mostrar o espetáculo pronto. Agora, com a impossibilidade do encontro, criamos uma série de vídeos a partir da dramaturgia da Lane. Cada ator em sua casa, influenciado pelo momento que estamos vivendo, cria um vídeo inspirado em questões que a peça nos estimula a pensar — explica o diretor Francisco Ohana.

Os ensaios de “Só Percebo que Estou Correndo” já estavam ocorrendo Foto: Renato Gonçalves/Divulgação

Antes do decreto de isolamento social no estado, elenco e direção já vinham realizando leituras e performances do texto de Lane Lopes, inclusive com participação do público, que interferiu no processo de criação. A trama começa com uma calcinha que estava no varal sendo levada pelo vento. Sua proprietária, Mônica, sai em busca peça e também de sua individualidade perdida. Ela procura por outras maneiras de existir num mundo onde o ser humano é hiperativo, hiperestimulado e está constantemente cansado.

— Vivendo em uma sociedade que lhe exige alcançar os melhores desempenhos, Mônica encontra, na busca por uma calcinha perdida, maneiras de se livrar de um cotidiano que a sufoca e enclausura – acrescenta a autora Lane Lopes, que, entre outras fontes para construir a dramaturgia, se inspirou na teoria “Sociedade do Cansaço”, do filósofo sul-coreano Byung-chul Han, que sugere que na tentativa de alcançar todas as metas possíveis, o homem está ficando cada vez mais cansado mental e fisicamente.

 

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