‘Me assustam grandes contradições na minha categoria’, admite Rodrigo França, símbolo do teatro negro

Luiz Maurício Monteiro

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Quando a atriz Ruth de Souza (1921-2019) faleceu, muito se falou do seu feito por ter sido a primeira negra a se apresentar no Theatro Municipal, em 1946. Este, sem dúvida, foi um gigantesco passo para artistas pretos no Rio de Janeiro, mas a verdade é que muito antes já existia o chamado Teatro Negro, que, não só aqui, mas em diversas partes do mundo, já se propunha a marcar o espaço dos pretos nos palcos. E quem afirma é Rodrigo França, de 42 anos, um dos principais nomes do movimento na atualidade na capital fluminense.

Com a propriedade de quem vem emendando, um atrás do outro, espetáculos ligados à temática preta – entre eles “Contos Negreiros do Brasil” e o infantil “O Pequeno Príncipe Preto” – Rodrigo explica,em entrevista ao quadro “Enquanto Isso, na Quarentena”, da RIO ENCENA TV (inscreva-se aqui), que o Teatro Negro existiria independentemente do racismo. Mas, como integrante da classe artística, ele faz uma auto-crítica e admite que poderia partir um espaço mais democrático – não só para negros, mas para mulheres, trans… – da própria categoria.

— Eu posso fazer pequenas provocações pedagógicas. Mas eu não sou de apontar o dedo, eu prefiro fazer… Mas o que me assusta são grandes contradições existentes na minha categoria. E eu posso falar sobre ela, na medida que se coloca como revolucionária, progressista, com respeito à diversidade — pontua Rodrigo, falando ainda sobre sua quarentena e seu posicionamento a respeito da volta do teatro na pandemia. Assista no vídeo abaixo:

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