Morre Eva Wilma, aos 87 anos

Rio Encena

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Eva Wilma faleceu neste sábado (15) Foto: Estevam Avellar/TV Globo

Faleceu na noite deste sábado (15) Eva Wilma. A atriz, de 87 anos, estava internada desde 15 de abril no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, se tratando de um câncer no ovário, e acabou sofrendo uma parada respiratória, que a levou a óbito. A veterana artista deu entrada na unidade hospitalar inicialmente para tratar problemas cardíacos e renais e acabou sendo diagnosticada com o câncer no último dia 07. Até o fechamento desta nota, não havia informações sobre velório e sepultamento.

Com mais de 65 anos de carreira no teatro, a paulista Eva Wilma Riefle Buckup Zarattini, filha de um metalúrgico alemão e uma portenha judia, foi homenageada no início de 2020 na entrega da sétima edição do Prêmio Cesgranrio, quando recebeu uma medalha de honra e fez um discurso recheado de bom humor e acidez – relembre no vídeo abaixo.

Nos palcos, onde chegou aos 19 anos, Vivinha, como era chamada pelos colegas mais próximos, fez uma longa carreira, que teve como último grande destaque “O que Terá Acontecido a Baby Jane?”, em 2017, ao lado de Nathália Timberg, com direção da renomada dupla Charles Möeller e Claudio Botelho. Antes, participou de diversas montagens como “Uma mulher e três palhaços” (sua estreia em 1952), “Boeing, Boeing” (1963), “Uma cama para três” (1983), “Querida mamãe” (1994) e “Azul resplendor” (2014), entre outras. Por fim, em setembro de 2020, se apresentou em casa, através de lives no YouTube e no Instagram, com o espetáculo virtual “Eva, a live”.

Bailarina de formação, Eva Wilma foi além do teatro e da dança, atuando também no cinema, marcando sua estreia em 1953 com “Uma pulga na balança”. Nos telões, ainda participou de outros longas como “Asa Branca – Um sonho brasileiro” (1980), “Feliz ano velho” (1987) e “O signo da cidade” (2007).

Já na TV, que a tornou conhecida do grande público, estreou na Tupi, também em 1953, no seriado “Namorados de São Paulo” – que posteriormente veio a se chamar “Alô, doçura” – quando conheceu John Herbert (1929-2011), que viria a ser seu marido em 1955. Ainda na telinha, fez sucesso como as gêmeas Ruth e Raquel, na primeira versão de “Mulheres de Areia” (1973) e em outros folhetins como “O direito de nascer” (1964), “A viagem” (1975), “Selva de pedra” (1986) e “A indomada” (1997), quando deu vida a Maria Altiva, inesquecível vilã, que misturava um sotaque nordestino a um linguajar em inglês.

Seus últimos trabalhos na TV foram a novela “Fina Estampa” (2011), em que interpretou sua primeira personagem gay, e uma participação na série “A grande família”, em 2014.

Fora da profissão, foi engajada politicamente ao atuar contra a ditadura militar, participando da histórica Marcha dos Cem Mil, em 1968. Numa mistura entre a vida e a arte, esteve na novela “Roda de fogo” (1986) como a militante Maura, vítima de tortura durante o regime.

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