Mostra de Cinemas Africanos: sei que o espaço é de teatro, mas peço licença para falar da sétima arte do continente

Aza Njeri

Aza Njeri

34 anos, doutora em Literaturas Africanas, pós-doutora em Filosofia Africana, pesquisadora, professora, multiartista, crítica teatral e literária, mãe e youtuber.

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Eu sou fissurada por cinema africano e sempre fico muito animada quando tenho oportunidade de acessar a cinematografia do continente. Meu diretor predileto é o senegalês Ousmane Sembene, considerado o pai deste cinema em África e sobre quem fiz um vídeo no meu canal no YouTube (aqui) apresentando sua história e filmes. Peço licença, portanto, aos leitores desta coluna acostumados com discussões em torno do teatro para, hoje, falar sobre cinema e sobre a Mostra de Cinemas Africanos promovida pelo Sesc Digital Beta.

A mostra está incrível e vai acontecer de forma online entre setembro e novembro. A edição, Cine África, traz vários títulos entre documentários e ficção com alguns inéditos, como “O Fantasma e a Casa da Verdade” (2019), de Akin Omotoso, que estreia dia 08 de outubro. Ao todo serão doze obras (dez longas e dois curtas) de países como Burkina Faso, Camarões, Egito, Etiópia, Nigéria, Quênia, Senegal e Sudão. E tudo isso de graça.

Todas as quintas-feiras tem um filme novo e eles permanecem acessíveis por uma semana. A Mostra começou dia 10 de setembro e o primeiro filme foi o belíssimo “Fronteiras”, de Apolline Traoré, que conta a história de quatro mulheres que vão de ônibus do Senegal à Nigéria, mostrando os perigos da estrada, uma África corrupta e machista e os laços de solidariedade entre mulheres africanas. Depois, foi a vez de “O enredo de Aristóteles”, de Jean Pierre, que traz uma discussão sobre a juventude e a violência no Camarões. Esta semana está disponível a inédita comédia dramática “aKasha”, do sudanês Hajooj Kuka. O filme surpreendeu com suas camadas críticas aos anos de guerra civil que o país ainda vive, evidenciando o cansaço da revolução recente e, em meio a esse cenário, os jovens Adnan e Lina vivem uma inusitada história de amor. Ponto alto da obra é a fotografia e a paisagem belíssima das montanhas Nuba, no Sudão. Já nesta quinta (amanhã) vai estrear “Lua Nova”, documentário da diretora queniana Philippa Ndisi-Herrmann, onde ela embarca em uma espontânea jornada para entender os caminhos da sua própria fé.

Cena de “aKasha” (2018), do sudanês Hajooj Kuka Foto: Reprodução/YouTube

Outros títulos importantes da mostra são “Nada de errado” (2019), documentário coletivo sobre imigrantes africanos (legais e ilegais) na Suíça e o drama queniano “Supa Modo”, sobre uma menina com uma doença terminal que sonha ser uma super heroína. E, como falei, esse é um espaço dedicado ao teatro, mas diante da possibilidade de assistir aos filmes africanos online, senti que seria muito bom compartilhar com os queridos leitores desta coluna mais essa oportunidade de conhecer a cinematografia africana. Bom proveito!

Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para aza.njeri@rioencena.com.

ERRATA: ao contrário do que publicamos anteriormente, o filme “GrisGris” não faz parte da mostra, embora o título aparecesse inicialmente na programação divulgada no site do evento. O erro já foi corrigido.

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