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‘O Encontro’: Um título simples, um impacto colossal

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35 anos, bacharel em Artes Cênicas pela UNIRIO, licenciada em Letras pela Estácio de Sá, atriz, escritora, tradutora e ávida leitora nas horas vagas.
Tempo estimado de leitura: 3 minutos

Em agosto de 2021, alguns de nós brasileiros conhecemos ou já ouvimos falar de Martin Luther King Jr e Malcolm X. Temos uma certa ideia das figuras históricas que eles dois são no consciente estadunidense, no movimento de Direitos Civis do país. O sonhador e o revolucionário. “O Encontro”, de Jeff Stetson, é uma ficção em cima de um encontro dos dois ativistas, ambos, assassinados aos 39 anos. Tive o enorme prazer de assistir à estreia do espetáculo no Teatro SESI, em outubro 2018. E nesta semana, assisti mais uma vez pela plataforma do Sesc São Paulo, #emcasacomsesc no YouTube, onde está disponível a gravação que foi feita ao vivo.

Do lado de fora do teatro, um trio composto por Caio Nunes, Thallyssiane Aleixo e Drayson Menezzes (que também entra em cena) começam nos jogando no contexto político da época em questão. Serjão Loroza assina a direção musical da peça, que é entrecortada por musicas de protestos que ficaram conhecidas nas décadas de 50 e 60. Com um detalhe para a breve introdução feita pela Thallyssiane, entramos no teatro.

Estamos em quarto de hotel no Harlem, em Nova York, onde o encontro será realizado. Malcolm X acorda de um pesadelo, e Rashad, seu guarda-costas, está com ele à espera de Martin Luther King Jr. Tanto um, quanto o outro lutam pela mesma causa, a diferença entre os dois está nos meios pelos quais eles pretendem alcançar seus ideais.

Na parede, um gigante painel permeado de fotos de figuras negras nacionais e internacionais, como Ruth de Souza, Bob Marley, Elza Soares, Gilberto Gil, Grande Otelo, Marielle Franco, Lázaro Ramos, Nelson Mandela, Will Smith, Taís Araújo, entre tantos outros. Dóris Rollemberg é responsável pelo cenário realista de cena, inquestionavelmente, um quarto de hotel na década de 60. Os figurinos de Desirée Bastos também seguem a mesma linha. Aurélio de Simoni, não só ilumina, como também, dá luz aos atores em cena. E Rogério Corrêa é o responsável pela bela tradução e adaptação desse texto de Jeff Stetson, que, em meio ao Brasil em que vivemos, é mais atual do que eu gostaria
de admitir.

Rodrigo França (E) e Izak Dahora como Martin Luther King Jr. e Malcom X, respectivamente Foto: Divulgação

Isaac Bernat dirige esse espetáculo sem pressa. Ele não apressa as pausas do texto. Isaac também opta muito bem pela quebra da quarta parede, valorizando discursos pontuais das duas figuras em cena, apesar de me cansar um pouco com tantas mudanças de câmera. Tenho que dizer que valorizo a mínima troca de foco quando vejo uma peça filmada.

Em cena, a luta está nas palavras das duas figuras ilustres. Os ataques são feitos por um e rebatidos pelo outro. É uma luta de sagacidade, e nenhum dos atores está mal armado. Drayson Menezzes e Rodrigo França me chamam atenção como assumem com propriedade o Guarda-Costas desconfiado e o Reverendo pacífico, respectivamente. Agora, Izak Dahora exala charme e cinismo na pele de Malcolm X e me leva mais uma vez às lágrimas com todo o entendimento e compaixão com que exclama suas palavras.

“Se você fosse verdadeiramente a favor da união, você estaria cantando ‘nós vamos agir’. Toda vez que houver uma injustiça, nós vamos agir. Toada vez que houver uma mulher negra sendo aterrorizada por um branco debaixo de um capuz branco, nós vamos agir. Toda vez sempre que houver a necessidade de impedir os brancos de perseguirem os negros, nós vamos agir, e vamos continuar agindo. Até que os negros se sintam seguros novamente.”

“O Encontro” é uma peça que poderia ser estudada por décadas em meios acadêmicos.

Feliz dia dos Pais!
Um aceno de mão efusivo e até a próxima semana.
Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para luciana.kezen@rioencena.com.

SERVIÇO

Local: YouTube – Canal SESC São Paulo | Sessões: Acesso liberado | Temporada: Indeterminada | Elenco: Izak Dahora, Rodrigo França e Drayson Menezzes | Direção: Isaac Bernat | Texto: Jeff Stetson (Tradução e adaptação: Rogério Corrêa) | Classificação: 12 anos | Entrada: Grátis | Gênero: Drama | Duração: 80 minutos


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