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O filme ‘A Lenda de Candyman’ e novos ciclos para esta coluna

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34 anos, doutora em Literaturas Africanas, pós-doutora em Filosofia Africana, pesquisadora, professora, multiartista, crítica teatral e literária, mãe e youtuber.
Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Na coluna de hoje, chego diferente: às vésperas de completar 36 primaveras e vivendo algumas mudanças pessoais e profissionais, anuncio que essa coluna vai sofrer algumas modificações, como a ampliação do espectro de análise crítica, não me detendo somente ao teatro, mas pensando arte, sobretudo, arte negra. Eu sou uma pesquisadora doutora de África e Afro-diásporas em suas diversas áreas, e esta coluna é uma forma de expressar meu pensamento crítico sobre as produções artísticas. Passaremos também à periodicidade mensal. Espero que gostem e me acompanhem nessa jornada.

E para começar esta nova fase, quero trazer o filme “A Lenda de Candyman” (em cartaz nos cinemas), da badalada diretora Nia Dacosta, que também assina o texto ao lado do produtor Jordan Peele e de Win Rosenfeld. É um terror profundo, sério e arrepiante com uma camada crítica comprometida com um olhar agudo sobre o seu tempo e às dinâmicas raciais. Interessante compreender o horror da experiência negra do que chamamos de Maafa – isto é desgraça coletiva negra -, nas costuras da obra. Vemos algo parecido em filmes como “Corra!” também de Peele e na excelente série “Lovecraft Country”, onde dramas sociais como racismo, violência policial e linchamento dão a toada da experiência de maafa, essa desumanização da população negra sobre a ótica do horror/terror e suas estéticas.

O ator Yahya Abdul-Mateen II vive o protagonista do filme, o artista plástico em crise criativa Anthony McCoy Foto: Reprodução

Nesse sentido, temos um cinema ácido e afrocêntrico, que faz de sua obra uma espécie de manifesto antirracista, sobretudo ao localizar em Candyman um arquétipo social refletido no protagonista atormentado, o artista plástico em crise criativa Anthony McCoy (Yahya Abdul-Mateen II). Como continuidade – ou como Nia Dacosta gosta de explicar, “uma sequência espiritual do filme ‘O Mistério de Candyman' de 1992” – há uma consolidação da franquia, com um novo ângulo refletor das discussões contemporâneas sobre o lugar do negro no mundo racista e as possibilidades de pensar o antirracismo pela via da arte.

Desta forma, se no primeiro filme, temos uma narrativa centrada numa mulher branca, loira, pesquisadora, cética que adentra a comunidade negra em busca de respostas sobre a lenda, enlouquecendo conforme se aprofunda nos mistérios; agora vemos um protagonista homem, negro, que, pressionado pelo mercado de arte racista e explorador das dores negras – interessante observar as cenas da exposição de arte -, mergulha na lenda de Candyman, vendo-se num espelho duplo questionador de sua própria humanidade. Percebam as metáforas trazidas nas cenas em que Anthony e Candyman se refletem nos espelhos. Uma obra de arte!

O relacionamento do protagonista com Brianna Cartwright (Teyonah Parris) merece atenção, mostrando uma mulher bem sucedida e um núcleo familiar saudável e próspero, apontando para a representatividade das personagens negras no audiovisual. Ela é uma jovem e promissora diretora de arte que tem seu casamento abalado a partir dos tormentos de seu companheiro. Importante dizer que é um filme que nos faz ter medo do início ao fim, mas, felizmente, nada que nos leve a gritos ou ataques cardíacos. Só mesmo, à reflexão. Ufa!

Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para aza.njeri@rioencena.com.


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