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‘Pão e Circo’ e traumas de infância

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Site de notícias e entretenimento especializado no circuito de teatro do Rio de Janeiro
Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Com 27 semanas de gravidez, fico surpresa ao notar como algumas pessoas se chocam em saber que meu marido me acompanha em todas as consultas pré-natais com a obstetra, em todas as ultrassonografias e quando digo que ele sempre está do meu lado quando faço qualquer exame. Por que todo esse espanto? Não fiz a criança sozinha!

Mas, claro, esse companheirismo do meu marido para comigo choca porque vivemos em uma sociedade na qual ainda é comum, e aceitável, que a figura paterna seja ausente da vida da criança. Não tive um pai ausente. Não espero que meu marido seja. Ao mesmo tempo, sei que não é exatamente tão comum assim.

“Pão e Circo” usa o futebol de pano de fundo para falar de abando paternal. Enquanto uma partida decisiva acontece no plano presente, temos um plano no passado, em que o protagonista treina com o pai. Pai este, que, mesmo não estando mais fisicamente presente na vida do filho, deixa suas marcas e vozes internas ecoadas e repetidas até os dias atuais dentro da mente do rapaz. Em meio à partida decisiva do Capela F. C., o goleiro Edu lida com as dificuldades do jogo e seus próprios dilemas pessoais.

Henrique Eduardo (frente), Osvaldo Mil (esq), Pedro Monteiro e Gabriela Estevão formam o elenco do espetáculo Foto: Beto Roma/Divulgação

Leonardo Bruno e Pedro Monteiro, que vive o goleiro protagonista da peça, assinam a dramaturgia de “Pão e Circo”. Além de Edu adulto, vivido por Pedro Monteiro, Henrique Eduardo interpreta o jovem Edu no plano do passado. Na pele do pai ausente, que um dia sai andando para não mais voltar, está Osvaldo Mil. E completando o elenco, temos Gabriela Estevão que dá o tom de partida e da peça como jornalista, juíza e comentarista da partida de futebol e das questões internas de Edu também. “A maternidade é um fato. A paternidade é uma ideia”.

Doris Rollemberg traz um cenário para os dois planos do passado e presente que funcionam ao mesmo tempo, dando uma clareza aos acontecimentos de cena. Aurélio de Simoni ilumina com maestria, auxiliando as nuances de humor dos personagens em cena.

Isaac Bernat dirige esta montagem de teatro filmado. Um lindo momento de encontro entre os dois planos retratados, emociona refletindo a sensibilidade da direção e do texto. São 40 minutos que colocam em pauta o abandono paterno de uma forma que eu não tinha visto anteriormente. Afinal, seus pais sabem apertar seus botões, foram eles que os instalaram. “Não fui criado para viver meus sonhos, mas para realizar os teus”.

Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para luciana.kezen@rioencena.com.

SERVIÇO

Local: YouTube (após a compra do ingresso, o espectador recebe um email com o link do canal) | Sessões: Sexta a domingo a partir de 18h (O vídeo ficará disponível por 24 horas) | Temporada: 20/08 s 03/10 | Elenco: Gabriela Estevão, Henrique Eduardo, Osvaldo Mil e Pedro Monteiro; Stand-in: Lucas Oradovschi | Direção: Isaac Bernat | Texto: Leonardo Bruno e Pedro Monteiro | Classificação: Livre | Entrada: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) | Bilheteria: Sympla | Gênero: drama | Duração: 35 minutos


OPINIÃO: Leia as críticas de Aza Njeri e Luciana Kezen sobre espestáculos em cartaz no Rio

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