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‘Pequod – Só os bons morrem jovens’ é poesia com a marca de Mario Bortolotto

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35 anos, bacharel em Artes Cênicas pela UNIRIO, licenciada em Letras pela Estácio de Sá, atriz, escritora, tradutora e ávida leitora nas horas vagas.
Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Mário Bortolotto é um poeta, saca? Tem poesia em sua arte. Nos seus textos, nos personagens que ele cria, nas histórias que escreve. E tem muita poesia no seu espetáculo mais recente: “Pequod – Só os bons morrem jovens”, que está em cartaz online gratuitamente. Esse teatro em vídeo foi gravado no Teatro Sérgio Cardoso, e foi produzido pelo grupo Cemitério de Automóveis, que no próximo ano chega aos 40 anos. As apresentações também contam com legenda descritiva, o que facilita a compreensão de quem tem dificuldade de audição.

Estou sempre de olho no trabalho desse dramaturgo e não me decepciono. Espetáculo novo do Bortolotto e eu lá, de frente para a tela, logo no primeiro final de semana. Não queria perder tempo. Foram dois dias de filmagens, não é ao vivo. Entra ali, naquele híbrido de teatro filmado que comecei a me acostumar durante essa infindável pandemia, que encurtou mais de 600 mil vidas pelo país.

“Pequod – Só os bons morrem jovens' fica em cartaz online até 24 de outubro Foto: Cristina Jatobá/Divulgação

Essa peça é a parte final de uma trilogia. Não assisti às outras duas, mas não tive dificuldade de acompanhar a trama. “Eu não tenho mais casa. Eu não tenho mais para onde voltar. Eu não tenho sequer um cachorro me esperando”. Me deparei com frases lapidadas com toda uma linguagem visual acertada. Os personagens de Bortolotto me lembram um da dramaturgia de Sam Shepard. Estamos na cabine de um barco ancorado. Quinze anos se passaram desde o último encontro dos dois irmãos Nando e Maurício. Nando, o mais velho, mora de favor no Pequod, um barco predestinado a afundar. Maurício vai ao seu encontro, ele leva notícias da família. Contamos ainda com dois outros personagens, Castioni e Lili, que acabam fazendo o uso do barco também como alguma uma espécie de abrigo momentâneo.

Além de ter escrito a peça e estar em cena como Nando, Bortolotto também assina a trilha sonora da montagem. Como Maurício, também repetindo o papel pela terceira vez, está Nelson Peres. Completando o pequeno grupo de personagens errantes e sem esperança estão Fernando Castioni e Rebecca Leão, como Castioni e Lili. Os dois últimos entram como um turbilhão na trama e em cena, em tons, cores, nuances e diálogos.

“Eu sempre achei que eu ia morrer jovem. Olha só. Nem isso eu consegui.” Mariko Ogawa e Seiji Ogawa realizam a concepção cenográfica que é a cabine e na cena final o convés do Pequod. Um belo trabalho que gostaria de ver mais de perto. A iluminação fica por conta de Caetano Vilela, não há exatamente surpresas ali, no entanto dá conta do recado. Os figurinos compõem as vivencias dos personagens, nada parece fora do plano criado. Mário Bortolotto é um camarada que sempre vale a pena ficar de olho.

Um aceno de mão efusivo e até a próxima semana.
Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para luciana.kezen@rioencena.com.

SERVIÇO

Local: Plataforma Sympla Streaming | Sessões: Sexta e domingo às 19h | Temporada: Até 24/10 | Elenco: Mário Bortolotto, Nelson Peres, Fernando Castioni e Rebecca Leão | Direção: Mário Bortolotto | Texto: Mário Bortolotto | Classificação: 14 anos | Entrada: Gratuita | Bilheteria: Sympla | Gênero: drama | Duração: 60 minutos


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