Retrospectiva 2020: entre o ao vivo e o online, tivemos peças ótimas, algumas ‘okay’ e outras nada agradáveis

Luciana Kezen

Luciana Kezen

35 anos, bacharel em Artes Cênicas pela UNIRIO, licenciada em Letras pela Estácio de Sá, atriz, escritora, tradutora e ávida leitora nas horas vagas.

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Foram poucas as peças que assisti neste ano. Como sempre, não importa se ao vivo ou gravada, como tenho o costume de assistir a várias peças! Eventualmente, assisti a peças que são super legais, a algumas que são “okay” e, claro, outras que são nada agradáveis.

Logo em janeiro, fiquei muito animada, na esperança de um ano extremamente promissor! Assisti a “Suelen Nara Ian”. Nossa! Lindo! Genial! O texto da Luisa Arraes me encantou de uma certa maneira que comprei a publicação da editora Cobogó ao final do espetáculo. Uma peça infanto-juvenil deliciosa. Adorei a ideia de pais divorciados, crianças que não se conheciam tendo que morar juntas, os nomes dos personagens… Tudo! A direção da Débora Lamm foi maravilhosa. E, claro, Zéu Britto. Como todas as peças que assisto com ele no elenco, Zéu Britto foi um show a parte. Parabéns!

Outra peça infanto-juvenil que gostei bastante também foi “Tatá, o travesseiro”. Com um outro tópico pouco discutido em teatro infantil, a peça fala de adoção de uma linda maneira. O diálogo com sombras, máscaras, bonecos e projeções que são usadas em cena é de encher os olhos dos mais novos e dos mais velhos também. Como não se divertir com uma criança passando por uma aventura dentro do próprio quarto? Muito bom!

Antes de a pandemia começar aqui no Brasil, eu ainda consegui assistir a outra excelente peça. “O Baterista” entra em cena, se depara com uma enorme plateia e percebe que esqueceu que tinha marcado um workshop nesse horário. Enquanto monta uma bateria, ele vai fazendo um panorama pela história da bateira mundial e nos divertindo com suas frustrações pessoais. Grande destaque para o texto de Celso Tadei, que, com uma bateria sendo montada em cena, faz o monólogo se desenrolar até que a bateria esteja toda montada. Somos levados a dar risada desse baterista frustado na pele de Antônio Fragoso, que está se virando para realizar um workshop. Uma excelente sacação.

Retrospectiva 2020 Foto: depoisphotos.com/montagem Rio Encena

Já na onda das gravações que assisti, e mais uma vez falo aqui no site Espetáculos Online, “Nem um dia se passa sem noticias suas”, da Daniela Pereira de Carvalho, foi uma peça que eu já havia lido, mas não assistido presencialmente. Quando li pela primeira vez o texto dela, gostei muito. Chorei! Não imaginei nada sobre a montagem, fiquei apenas com a poesia da estória. Quando assisti à peça, uma gravação feita quase uma década atrás, chorei de novo. Gostei mais ainda. Em um ano onde estou lindando com o luto de uma forma imprescindível, essa foi uma peça que me marcou bastante. Obrigada pelo trabalho.

Gostaria também de comentar sobre uma montagem internacional. Por conta dessa pandemia interminável, o National Theatre de Londres disponibilizou alguns espetáculos online por tempo limitado. Acabei assistindo a uma montagem deles de 2011 de “Frankenstein”, baseado no romance da Mary Shelley. Nesta montagem, os atores que faziam Viktor Frankenstein e a Criatura, se revezavam no papel. Pude assistir à peça duas vezes, e como foi magnifico ver, não só os dois atores principais trocando os papeis, mas também como todo o elenco reagindo diferente a uma Criatura diferente e a um Viktor diferente. Uau!

Com o final do ano batendo na minha porta, não posso negar que eu queria férias do clima que esse ano está causando em mim. Só que o vírus pandêmico não tira férias. Por favor, usem máscara e lavem bem as mãos sempre que possível.

Um aceno de mão efusivo e até a próxima semana.
Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para luciana.kezen@rioencena.com.

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