Revi ‘O Baterista’ na Internet e mantenho a opinião: é um solo bem feito e divertido

Luciana Kezen

36 anos, bacharel em Artes Cênicas pela UNIRIO, licenciada em Letras pela Estácio de Sá, atriz, escritora, tradutora e ávida leitora nas horas vagas.

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

No dia 3 de março de 2020, muito antes de termos perdido mais mais de 430 mil vidas para o Covid-19, estava eu indo ao que seria uma das últimas peças presenciais que assistiria por um bom tempo. Recordo-me, como se fosse hoje, o quanto me diverti assistindo a essa comédia sem saber que me lembraria com detalhes desse espetáculo que não merecia ter sua temporada encurtada.

Como tenho feito de tempo em tempo, mais uma vez me vi no site Espetáculos Online e, para minha surpresa, pude rever esse digníssimo espetáculo que assisti no Teatro Poeira há não tanto tempo assim, mas que, sem sombra de dúvida, parece que foi mais de que uma vida atrás.

Um baterista entra em cena, se depara com uma enorme plateia e percebe que esqueceu que tinha marcado um workshop naquele horário, ali mesmo naquele local. Enquanto monta uma bateria, o músico vai fazendo um panorama pela história da bateira mundial, transforma a plateia em alunos e troca mensagens em rede social com a ex-mulher, por quem ainda está claramente apaixonado.

No cenário de Diego Molina, que também assina a direção, e Patrícia Muniz, temos uma garagem bagunçada e uma bateria desmontada. O tempo da peça equivale o tempo da montagem da bateria. Durante a aula, vizinhos colocam musica alta e reclamam, mas com a mesma insistência que se dedica à sua vida amorosa e carreira sem sucesso, o baterista não para.

“O Baterista”, de Celso Taddei, é tanto divertido quanto comovente e é definitivamente um monólogo dotado de conhecimento musical. É uma peça no seu tempo.

Sozinho em cena, Antônio Fragoso interpreta o protagonista da peça Foto: Daniel de Jesus/Divulgação

Não tive uma oportunidade de perguntar ao Celso Taddei se ele se inspirou no “Standup for Drummers”, do Fred Armisen de 2018. Mas se teve ou não, na verdade, não chega a ser relevante, já que os dois são de um valor
ímpar no meu coração.

Timing cômico e musical, gags físicas excelentemente bem executadas. Antônio Fragoso está tão confortável em cena, que não tive como não me sentir em uma maravilhosa Master Class sobre bateria. Um momento com um
isqueiro que não acende seguido de uma caixa de fósforo aberta do lado errado, me deixou gargalhando tanto ao vivo quanto na gravação. Muito obrigada, Antonio Fragoso.

Com texto de Celso Taddei, atuação de Antonio Fragoso e direção de Diego Molina, essa peça não poderia ficar fora de uma das minhas comédias preferidas da última década.

Além disso, é dotada de uma trilha sonora recheada de clássicos nacionais e internacionais, ao final da peça, ainda somos presenteados com um verdadeiro momento de inspiração cênica. Anderson Ratto ilumina a cena
de Antônio Fragoso tocando bateria ao som de “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana. Muito maneiro.

Se você, como eu, tem respeitado as regras básicas de distanciamento social e continua sem procurar se enfiar em locais fechados, essa peça é uma boa dica para qualquer noite da semana.

Um aceno de mão efusivo e até a próxima semana.
Dúvidas, críticas e soluções, envie para luciana.kezen@rioencena.com.

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