‘Se não Agora, Quando?’ estreia no Sesc Tijuca procurando falar de suicídio e solidão de forma leve

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Além de aturar, Marcélli Oliveira também assina o texto do monólogo Foto: Livia Kessedjian/Divulgação

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), uma média de 800 mil pessoas ao redor do mundo acabam com suas próprias vidas ao longo de um ano. Ou seja, uma a cada 40 segundos. Ainda de acordo com a agência, a incidência global caiu 9.8% entre 2010 e 2016, mas, ainda assim, é uma realidade que assusta. Mas, já que se trata de um assunto tão importante, porque o solo “Se não Agora, Quando?”, que estreia no Sesc Tijuca nessa sexta-feira (07), às 19h, fala de solidão, depressão – considerada por especialistas o grande mal do século XXI – e suicídio com humor e leveza?

Idealizadora do projeto, protagonista e responsável pelo texto, Marcélli Oliveira desenvolveu seu primeiro solo teatral decidida a tratar tais questões não como tabu, mas, sim, como assuntos naturais, tratados de forma cuidadosa e respeitosa.

— As pessoas ainda cochicham pra falar de depressão e suicídio. Enquanto isso, os números só aumentam. Só no ano passado, três pessoas que eu conhecia cometeram suicídio. No caso de duas, a família divulgou a morte como outra causa. A gente precisa começar a gritar e não mais cochichar. Precisamos parar de esconder e falar sobre o assunto — brada Marcélli, também roteirista da Rede Globo, que chega ao seu terceiro texto teatral após “Casório” (2012) e “Às Terças” (2014).

Na trama, uma mulher propensa a tirar a própria vida acompanha da janela de seu apartamento, diariamente, a vida dos vizinhos do prédio da frente. Insatisfeita com os insucessos dos planos que traçou para si, ela passa um tempo “vivendo a vida” dos outros, o que também não dura muito tempo. Logo, a moça começa a achar tudo igual, vazio e sem graça e se aproxima ainda mais do suicídio. Um certo, dia, porém, um novo vizinho chega, o que pode mudar o rumo da história.

Apesar da protagonista depressiva e solitária, Marcélli, que em cena é dirigida por Leonardo Hinckel, reforça que o bom humor pode ser uma boa ferramenta para fazer as pessoas falarem mais abertamente sobre o assunto.

— Nos sentimos sozinhos mesmo em uma sala lotada de gente. Admitir que se têm depressão é ainda visto como sinal de fraqueza. O tabu precisa ser vencido depressa e muitas vezes o humor é a forma de se falar de assuntos pesados, porque ele tem a coragem de falar sobre coisas que as pessoas pensam, mas não dizem. Quero que as pessoas assistam à peça e conversem depois sobre esses temas numa mesa de bar. Quero que vejam que está tudo bem se sentir sozinho, que é normal ter algum medo e que está todo mundo se sentindo assim também. Não é vergonha, mas precisa ser conversado — encerra.

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