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‘Selfie’ ficou ainda mais relevante do que era antes de a pandemia começar

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35 anos, bacharel em Artes Cênicas pela UNIRIO, licenciada em Letras pela Estácio de Sá, atriz, escritora, tradutora e ávida leitora nas horas vagas.
Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Após 18 meses em estado pandêmico no Brasil e mais de 584 mil mortos por conta da Covid-19, ainda temos que lidar com uma CPI cheia de “conflitos de entendimento”. E mesmo depois de ter tomado duas doses de vacina, não me sinto confortável em sair sassaricando por aí aleatoriamente.

Por isto, continuo procurando espetáculos online e fico feliz em ver novas produções; novos projetos sendo executados; novas formas de expressar, dentro da pandemia, a arte. Gosto do nome “ato fílmico”, gosto de “peça metragem”, “experimento cênico”, “híbrido de teatro filmado”. Tudo é válido! Acho bacana como algumas montagens se apropriam da linguagem e conseguem uma boa interação com a plateia.

Nesta semana, me deparei com uma montagem (e filmagem) um tanto quanto antiga. O Circuito Cultural Bradesco Seguros disponibilizou, gratuitamente, no seu canal no YouTube a peça “Selfie”, de Daniela Ocampo. Entretanto, nos últimos 18 meses, esse espetáculo se tornou ainda mais relevante do que era antes de a pandemia começar.

“Selfie” faz uma crítica muito inteligente sobre como nos comportamos com tantos eletrônicos à nossa volta. Por vários momentos da peça, me identifiquei com situações e personagens que talvez não teria me identificado há seis ou sete anos. Isto mostra como o texto é bem escrito.

Mateus Solano (E) e Miguel Thiré em cena de “Selfie” Foto: Divulgação

Daniela Ocampo traz frases que ainda estão ressoando em minha mente, do tipo, “Como que você quer que eu namore uma pessoa que não tem mais arroba?” ou “Eu não esqueci das paradas. Eu nem me preocupei em lembrar.”

Informação, empregos, relacionamentos, entretenimento, conhecimento… Temos tudo na palma da nossa mão. E o que acontece quando não nos conectamos? Quando tudo se perde? Ainda conseguimos lembrar de quem somos? Do que somos? É exatamente aí que entra essa comédia. Ocampo traz uma pegada Black Mirror para esse assunto que parece não preocupar muitas pessoas.

Marcos Caruso, que dá uma pequena introdução à peça, dirige o espetáculo com muito humor. As escolhas de cenário e sonoplastia tão reduzidas dão mais destaque ao texto e aos atores em cena. Os figurinos de Sol Azulay têm um quê de futurista, com roupas cinzas prateadas. Não há acessórios!

Em cena, os atores se desdobram em personagens e sonoplastias, dando um tom mais virtual à peça. Miguel Thiré se sai muito bem em onze personagens bem definidos, que vão passando pela trama ao longo do desespero de Claudio, que Mateus Solano interpreta.

Claudio perde todos os seus dados online e vai atrás de voltar a entender quem ele é. Enquanto Miguel Thiré incorpora as figuras que Claudio encontra em sua saga, Mateus Solano conversa pelo telefone ou no computador em sua cabeça com outros tantos de indivíduos.

Por fim, acaba sendo tanta gente em cena com os dois atores, que eu perdi a conta dos personagens, porém sem perder o fim o fio da meada por um minuto sequer, porque “Selfie” é uma comédia inteligentemente intrigante e provocadora.

Um aceno de mão efusivo e até a próxima semana.
Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para luciana.kezen@rioencena.com.

SERVIÇO

Local: Youtube – Canal Bradesco Seguros | Sessões: Disponível 24h | Elenco: Mateus Solano e Miguel Thiré | Direção: Marcos Caruso | Texto:  Daniela Ocampo | Classificação: Não informada | Entrada: Gratuita | Gênero: Comédia | Duração: 80 minutos


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