Teatro online funciona com crianças?

Aza Njeri

Aza Njeri

34 anos, doutora em Literaturas Africanas, pós-doutora em Filosofia Africana, pesquisadora, professora, multiartista, crítica teatral e literária, mãe e youtuber.

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Nesta semana, comemorou-se o Dia das Crianças e, deixando de lado a discussão capitalista sobre a data e, considerando que ainda estamos em pandemia, eu vim provocar sobre como manter a programação cultural de forma online pras crianças. Tenho uma filha pequena, e não tem sido fácil. Ela não tem onde gastar energia, e eu ainda não me sinto segura para me aglomerar nas pracinhas, cinemas, teatros e museus.

Minha caçula frequenta o teatro desde bebezinha. A primeira peça que assistiu foi “O Pequeno Príncipe Preto”, de Rodrigo França. E de lá pra cá, o seu contato com histórias no palco italiano só aumentou. Em 2020, entretanto, dadas as circunstâncias, seu contato com a dramaturgia foi interrompido.

Tentei recorrer ao teatro infantil online para que a pequena continuasse sua conexão com este bem cultural. E, foi nesse momento, que começaram as minhas dificuldades: as peças infantis são muito coloridas e lúdicas no ao vivo, mas quando passadas para o formato audiovisual boa parte da ludicidade se perde, e, com ela, a atenção da criança também vai embora. As experiências com histórias curtas entre 15 e 30 minutos costumam ser mais fáceis, principalmente porque, em casa, as possibilidades de desvio de atenção aumentam. A palhaçaria também é melhor sucedida nesse aspecto. O riso é poderoso e conecta as crianças com a experiência online. Já a contação de história não prende tanto a atenção se não tiver elementos lúdicos acompanhando.

Teatro online funciona com crianças? Foto: Montagem com foto de Diego Morais/Divulgação

Também percebi que quando a família senta para assistir com ela o espetáculo, a experiência torna-se outra. Definitivamente não dá para colocar uma criança diante de um espetáculo online e querer que ele tenha o mesmo efeito dos vídeos infantis do YouTube. O teatro continua exigindo presença e é uma espécie de antídoto antialienação.

Eu vou continuar minha busca pelo teatro online infantil que, assim como o que vem acontecendo com o teatro adulto, deve incorporar o novo formato e pensar o fazer arte dentro dessa perspectiva. Um desafio, eu sei! Mas acredito que também seja uma experiência para pensar cultura infantil nesse novo (nada) normal e não deixar que os laços com a dramaturgia sejam perdidos nessa pandemia.

Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para aza.njeri@rioencena.com.

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