Tinha que ser todos os dias, e não só ‘Às Terças’!

Luciana Kezen

Luciana Kezen

35 anos, bacharel em Artes Cênicas pela UNIRIO, licenciada em Letras pela Estácio de Sá, atriz, escritora, tradutora e ávida leitora nas horas vagas.

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

“Às Terças” é mais um exemplo de um excelente texto adaptado para assistirmos online e em tempos de pandemia, mas não só isso. Marcélli Oliveira conseguiu mais uma vez me destruir com sua sensibilidade, tanto atuando, como escrevendo. Em fevereiro deste ano, eu tive a oportunidade de assistir a outra peça da Marcélli, “Se não Agora, Quando?”. Fico feliz de ver produções tão bacanas tratando de temas intensos com toda a sensibilidade possível. Esse é o caso de “Às Terças”

Nesta “comédia-metragem emergencial”, acompanhamos os encontros, às terças-feiras, de quatro mulheres sem um terapeuta. Cansadas de irem para o analista desabafarem sobre suas vidas e percebendo que o encontro entre elas era mais agradável do que suas próprias sessões com o profissional, as quatro decidem formar um grupo de autoajuda. Todas com seus problemas e questões individuais, com as quais vamos nos familiarizando com o desenrolar da trama.

Stella Maria Rodrigues, Marcela Muniz, Carina Sacchelli e Marcélli Oliveira estão muito bem em seus papéis. Emocionalmente tocante. Estas quatro amigas formam um lindo grupo de apoio com muita humanidade. Mesmo à distância, elas se fazem presente nas vidas umas das outras.

Tenho visto muitos trabalhos que acabam caindo em uma direção simples online que parece um tanto quanto preguiçosa, não é o caso dessa peça. Alexandre Contini dirige e edita brincando com o espaço de cada personagem, fazendo até mesmo com que nenhuma das quatro personagens fique em um só canto da tela.

Me diverti vendo traços destas mulheres nos ambientes em que as cercavam, em seus figurinos, suas escolhas, suas atitudes… Gosto quando não vejo nada de reconhecível em uma estória que assisto, mas também gosto de reconhecer meus traços pessoais em cena. Saber colocar em pauta a dificuldade de ser você mesma, de muitas vezes se achar desimportante diante do mundo, de sentir um medo em querer mudar, é algo delicado e muito bem
executado neste texto e por estas mulheres.

Sentido horário: Marcela (alto à esq.), Marcélli, Carina e Stella Foto: Reprodução/Youtube

Com um estilo muito próprio e bem feminino, vemos essas mulheres de idades e opções sexuais diferentes abrirem seus corações umas com as outras. Fez com que eu sentisse muita saudade da minha melhor amiga. Me senti parte do grupo mesmo sem ter dividido minhas angustias pessoais com elas.

Como uma cerejinha no topo do bolo, o texto ainda lida com esta pandemia que estamos passando, sem fazer dela o tema central da trama. No final, eu estava já querendo o endereço virtual desse grupo para que eu também pudesse fazer parte dele. Fiquei querendo conhecê-las. Que delícia de apresentação. Em cartaz até dia 27 de outubro, a peça é uma excelente programação. Ingressos no site Bilheteria Express.

Um aperto de mão efusivo e até a próxima semana.
Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para luciana.kezen@rioencena.com.

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