Último mês do ano mais longo de minha vida

Luciana Kezen

Luciana Kezen

35 anos, bacharel em Artes Cênicas pela UNIRIO, licenciada em Letras pela Estácio de Sá, atriz, escritora, tradutora e ávida leitora nas horas vagas.

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

“Oi”, “Como vai?”, “Tudo bem?”, “E a saúde?”

2020 foi o ano que acrescentamos “E a saúde?” na nossa lista de cumprimentos. Até então, reservávamos essa última pergunta apenas para os enfermos e idosos que estivessem a perigo. Futuramente, 2020 também será conhecido como “o ano que não devemos mencionar” ou simplesmente “aquele ano”. Fato é que, entramos em guerra com um vírus.

Com o final desse fatídico ano chegando, chegam também a aumentar o número de casos de Covid. Se você já pegou o vírus e se acha imune, não se engane. Estão havendo casos de reincidência por todos os lados. Um segundo lockdown é esperado.

Peças de teatro voltaram a acontecer publicamente em lugares fechados, novas datas foram marcadas. Pessoas estão displicentemente usando suas máscaras faciais como apoio para queixo ou penduradas na orelha. Agora, os eventos voltaram a ser canceladas, as apresentações de espetáculos voltam a ser suspensas. Algumas apresentações ainda estão sendo realizadas. Até quando, não sabemos.

O ano está na reta final (Arte Rio Encena)

Temos um governo onde não se incentiva a cultura (procurando taxar livros), que não incentiva professores (dizendo que ser professor é falta de opção), que ignora a história nacional (dizendo que não teve ditadura no Brasil), que diz não ter racismo no país. Foram 22 dias de apagão no Amapá. Estamos nos aproximando daquela época do ano quando presenciamos as fortes pancadas de chuva, seguidas por enchentes e deslizamentos por todo território nacional.

2020 tem sido um ano de aprendizados mais do que peculiares. E eu nem sei o que estou aprendendo, só sei que tem aprendizado nisso tudo. Sei também que daqui a um mês, quando o ano acabar, não só eu, mas muita gente pelo mundo vai se sentir mais aliviada.

Sim, estamos todos cansados de ouvir falar desse vírus. Só que parar de falar sobre o problema não faz com que ele desapareça. Eu não acredito que a Terra é plana. Eu também não acredito que religião deva ser levada para os interesses de governo. Acredito que se investirmos mais em educação primária e arte, consequentemente teremos menos encarceramentos. Definitivamente, não acredito em astrologia, acredito sim, em astronomia. E, infelizmente, se você não sabe a diferença, acho que você está precisando ler mais um pouco.

Por favor, não me entenda mal, defendo seu direito de acreditar no que você quiser, desde que não afete minha realidade. Afinal, se você acredita que deve explodir algum lugar pela opinião ali expressada, tenho que ser veementemente contra.

Funcionar como uma sociedade é muito mais difícil para uns do que para outros. Por isso, eu sempre repito, leia bastante, escute o que puder, assista coisas a variadas, visite exposições e lugares diferentes. Se preocupe com o seu
crescimento pessoal e não esqueça de ajudar quem estiver do seu lado.

Um aceno de mão efusivo e até a próxima semana.
Dúvidas, críticas ou sugestões, escreva para luciana.kezen@rioencena.com.

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