Inspirada em trauma real da infância da protagonista, ópera ‘Na boca do cão’ faz curta temporada no YouTube

Do Rio Encena

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A ópera é inspirada num drama real da própria atriz Gabriela Geluda Foto: Reprodução/Internet

O título de “Na boca do cão”, ópera solo protagonizada por Gabriela Geluda, não é uma metáfora ou outra figura de linguagem qualquer. Trata-se de uma menção literal a um drama real ocorrido na infância da atriz, que parte deste acontecimento para levar ao público reflexões sobre se defrontar com desafios. A temporada virtual e gratuita começa no YouTube, nesse sábado (17), às 19h.

— A arte é um veículo de transmutação de traumas profundos do ser humano — filosofa a atriz e cantora, que filmou a versão virtual do espetáculo original de 2017 no Teatro Serrador, que parou de funcionar no fim de 2019 por divergências entre a proprietária do imóvel e a prefeitura, então administradora do equipamento.

O drama transformado em libreto por Geraldo Carneiro – e que poderia ter terminado em tragédia – aconteceu quando Gabriela tinha 2 anos de idade. Durante uma simples ida com o pai à padaria, ela foi atacada por um cão da raça pastor alemão, que abocanhou sua cabeça deste a parte de cima até o queixo. O episódio, claro, gerou uma série de traumas para a atriz nos anos seguintes, mas também serviu como ferramenta para uma de suas expressões artísticas.

— “Na boca do cão” promove uma reflexão sobre como nos relacionamos com os desafios de modo criativo, aprendendo a incorporar o inesperado e transformando experiências traumáticas através da arte — explica Gabriela, que atua ao som da música assinada por Sergio Roberto de Oliveira (falecido durante a temporada de estreia em 2017) e acompanhada dos músicos solistas Ricardo Santoro (violoncelo), Cristiano Alves (clarinete / clarone), Rodrigo Foti e Leo Sousa (percussão).

Sobre a gravação no Serrador – viabilizada com recursos da Lei Aldir Blanc – Bruce Gomlevsky – que assina a direção tanto na versão virtual, quanto na original – enfatiza que o teatro é parte fundamental da encenação.

— É um lindo ato de resistência poder filmar num teatro e ter o teatro como personagem, num momento em que as salas de espetáculo se encontram fechadas — destaca o diretor.

— Ao ganhar sua versão filme, o limite do palco é extrapolado, e espaços ocultos do Teatro Serrador são incorporados à trama. A encenação, que já unia música contemporânea, dança e teatro, agrega agora recursos cinematográficos, explorando longos planos sequência “a lá” mestre Hitchcock — complementa Gabriela.

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