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Menos solos, mais gente em cena: com avanço da vacinação, peças com elencos mais numerosos ganham espaço no Rio; artistas opinam

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-  Atualizado em 03-10-2021 às 10:42
Tempo estimado de leitura: 3 minutos
O infantis “Zaquim” e “”Gabriel só quer ser ele mesmo” (acima) e os adultos “Parabéns, Sr. Presidente” e “As Meninas Velhas” são algumas das peças com dois ou mais atores no elenco em cartaz atualmente Fotos: Renato Mangolin/Dalton Valério/Ooze Studio/PinoGomes

RIO – Em outubro do ano passado, cerca de 20 dias após a prefeitura autorizar os teatros a realizarem sessões com público, o Teatro Petra Gold era o primeiro a retomar as atividades presenciais com uma temporada do solo “A Alma Imoral”, com a atriz Clarice Niskier. Até por questões de prevenção contra a Covid-19, como o distanciamento, começava, assim, uma tendência de serem apresentados apenas espetáculos neste formato, com somente um artista em cena. Tal predominância, porém, já não existe mais.

Dos 43 projetos artísticos que o RIO ENCENA tem catalogado na sua categoria EM CARTAZ – entre peças, shows de stand-up e leitura dramatizada que estão em cartaz ou estarão nos próximos dias – 31 contam com dois ou mais atores no palco, enquanto apenas 12 são monólogos.

Inegavelmente, esta virada tem a ver com o avanço da vacinação na capital fluminense, afinal, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, mais de 99% da população adulta já foi vacinada com a primeira dose ou dose única, enquanto que mais de 65% já foram imunizados com a segunda dose ou dose única.

Tais números representam uma segurança maior para as produções apresentarem montagens com elencos mais numerosos, e também, claro, para o público voltar a frequentar as salas, que têm exigido o comprovante de vacinação aos espectadores e já estão autorizadas para liberar até 60% da capacidade total.

Mas e aqueles que trabalham na indústria teatral, o que pensam sobre o retorno dos elencos mais populosos? Ouvimos, por exemplo, o ator e diretor Daniel Dias da Silva, que esteve em cartaz recentemente com “O Cego e o Louco”, ao lado de Alexandre Lino no Teatro das Artes, e agora segue na direção de “Charles Aznavour – Um Romance Inventado”, no Petra Gold. Ele acredita que este movimento é natural, desde que, claro, sejam respeitados os protocolos de segurança.

— Acho que são passos cautelosos e graduais que já eram aguardados com muita expectativa por nós e pelo público.  Com o avanço da vacinação (ainda que  lentamente) e com os protocolos sanitários seguidos pelas produções e pelos teatros, como distanciamento, uso de máscara na plateia, exigência do comprovante de vacinação, higienização das salas e, em alguns casos, a realização de testes periódicos, aumenta a confiança e a percepção do teatro como um espaço seguro para todos. Estive em cartaz com “O Cego e o Louco” e, no momento, estou como diretor de “Charles Aznavour”, em dois teatros diferentes, e posso testemunhar como esses cuidados estão sendo levados a sério, com muita conscientização — destaca.

O diretor Gustavo Paso (E), o ator e diretor Daniel Dias da Silva e o ator e empreendedor cultural Felipe Heráclito Lima Fotos: Diulgação/Acervo pessoal/Ale Catan

Diretor da trilogia “Oleanna”, “Race” e “Hollywood”, Gustavo Paso, por sua vez, não vê este número substancial de peças com mais atores no palco como um avanço da retomada. Ele acredita que o teatro ainda está dando os primeiros passos neste movimento de retorno.

— Eu, inclusive, vou estrear “O Alienista” no dia 22 com um elenco de 12 artistas. Mas, sinceramente, nada tem a ver com pandemia. Inclusive, não vejo que o “inicio da retomada” já passou. Estamos bem no início ainda. Quem está de fora pode ter uma noção de que já passamos por este estágio. Mas dentro do olho do furação e conversando com amigos, vejo que esse inicio está ainda “no inicio”. Sabe o que acho? Monólogos não foram o início da retomada, foram o início da volta pela sanidade, pela necessidade. Por não aguentarem mais e ter uma brecha para a volta… Eu acho que agora estamos no inicio mesmo — pondera.

Já na visão do ator e empreendedor cultural Felipe Heráclito Lima, idealizador do infantil “Baile Partimcundum”, que está em cartaz online, é uma questão particular de cada artista e produtor realizar um espetáculo presencial ou virtual, independentemente do número de atores em cena.

— Consigo entender os que optam por voltar, assim como os que optam por esperar. Na minha opinião, a discussão deveria girar muito mais em torno disso do que sobre o número de atores em cena. Transformei duas produções que havia montado antes da pandemia – uma com 16 atores e outra com seis – em espetáculos online. Quis experimentar uma linguagem híbrida que transitasse entre o teatro e o audiovisual, num formato diferente dos que eu tinha visto em apresentações de teatro ao longo do período mais severo da pandemia. Ainda assim, acredito que a arte do teatro seja a arte do encontro, do presencial, da troca entre os artistas e o público — opina Felipe, que, mesmo depois de voltar aos palcos, não pensa em deixar o audiovisual: — Quero muito voltar “em cartaz” presencialmente e isso deve acontecer logo no começo do próximo ano. Além das apresentações presenciais, quero continuar a pensar os projetos nesse formato híbrido, mas não os pensarei online como plataforma principal, mas como uma forma de levar essas histórias para outras cidades e estados, para que pessoas que não teriam a oportunidade de viajar para assisti-los presencialmente tenham a oportunidade de serem tocadas por eles.


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