‘Mercedes’ homenageia centenário da primeira bailarina negra do Theatro Municipal em curtíssima temporada no YouTube

Rio Encena

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A atriz Ilea Ferraz, uma das protagonistas da peça; no detalhe, a homenageada Mercedes Baptista Foto: Daniel Barboza/Divulgação

Para quem não conhece Mercedes Ignácia da Silva Krieger, o espetáculo “Mercedes” reestreia nessa quinta-feira (20), desta vez em formato online, para passar a limpo a trajetória da primeira bailarina negra do corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Até o próximo dia 30, o Grupo Emú, responsável pela produção, vai disponibilizar acesso gratuito e em tempo integral à apresentação gravada do espetáculo protagonizado por Iléa Ferraz e Sol Miranda. A mini temporada virtual é uma homenagem ao centenário da dançarina carioca, que nasceu em Campos dos Goytacazes exatamente em 20 de maio de 1921.

O espetáculo – que já passou por diversos festivais e mostras e, recentemente, teve cancelada uma circulação pelos teatros da Rede SESI/SP devido à pandemia – enaltece Mercedes Baptista (seu nome artístico) como uma das maiores representantes da cultura afro-brasileira no mundo. Afinal, ela foi pioneira da dança moderna brasileira e uma das principais responsáveis pelo surgimento e aperfeiçoamento das alas coreografadas das escolas de samba no Carnaval carioca.

“Mercedes” retrata a artista, que faleceu em 2014, no Rio, aos 93 anos, como uma agente que contribui para o resgate e preservação da cultura negra brasileira até os dias atuais. E é a partir desta trajetória que o Emú traça um paralelo entre a questão racial e a contemporaneidade e também mistura manifestações artísticas como teatro, dança e música, às representando como símbolos poéticos da formação clássica e dos conhecimentos de danças de matriz negra.

— O Emú surge da convergência de anseios pautados na formulação de uma zona material poética, que possibilite ao ser negro e artista o agenciamento e autoria de sua própria história. A Cia tem a negritude como uma construção constante e se utiliza do palco como um instrumento para a potencialização do autoconhecimento e para a formulação de personagens não aprisionadas pelas paisagens responsáveis pela limitação das potencialidades do artista e indivíduo negro — acrescenta Sol Miranda, que também é produtora e idealizadora do espetáculo.

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