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Sem figurinos ou coreografias: produtor lança musical em formato podcast e confessa: ‘Até o lançamento, não sabia se ia dar certo’

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Tempo estimado de leitura: 5 minutos
O ator Marino Rocha no estúdio: elenco teve que gravar separadamente as cenas e as músicas Foto: Arquivo pessoal/Rafael Nogueira

Para quem é fã, assistir a um musical costuma ser um momento marcante. Quando as cortinas se abrem, saltam aos olhos figurinos deslumbrantes, cenários grandiosos e elencos numerosos que cantam e apresentam coreografias com excelência. Nada disto, entretanto, pode ser encontrado em “Dom Pedro I – Bastidores de um Musical”, o que não significa, necessariamente, que não se trate uma experiência única. Quem garante é o produtor Rafael Nogueira, que idealizou o espetáculo todo em formato de podcast, arquivo de áudio que pode ser baixado e/ou reproduzido a qualquer momento, e que tem se popularizado cada vez mais no Brasil.

Com um total de 101 minutos, o espetáculo – dividido em quatro episódios já disponíveis desde 13 de agosto em plataformas digitais de áudio – é uma empreitada inédita no país, assegura Rafael. E até mesmo por não ter em quem se espelhar, ele admite, foi real nos últimos 15 meses o receio de que projeto naufragasse.

— Até o lançamento, eu não sabia se ia dar certo, não sabia se as pessoas iam entender a proposta (risos). Até mesmo quando começamos a convidar os atores para fazer parte do projeto… — recorda Rafael, que tem Wladimir Pinheiro e Cássia Raquel, dupla experiente em musicais, como os autores das canções inéditas e protagonistas da trama que é metalínguistica, pois retrata os bastidores de um musical sobre o primeiro imperador do Brasil.

O projeto começou a ganhar forma em abril de 2020, mas a ideia de um musical exclusivamente em áudio pintou na cabeça de Rafael há cerca de três anos. Tudo começou por conta do podcast Musical Cast, no qual ele trabalha com cerca de outras nove pessoas – inclusive, Glauver Souza, que assina direção e texto da peça – e que traz a cada semana diferentes temas e entrevistas sobre o universo dos musicais, seja teatro, cinema ou séries.

Rafael Nogueira: produtor e idealizador do projeto

E depois que os trabalhos começaram, a pandemia teve duas interferências importantes para esta história: ao mesmo tempo em que encorajou um trabalho remoto a sair do papel, também impôs limitações para que o elenco se encontrasse, o que foi um problema, principalmente, para as gravações e as edições de cena, feitas pelo próprio Rafael.

— Foi uma loucura (risos) — diverte-se o produtor, contando mais sobre o projeto na entrevista abaixo:

Como surgiu a ideia de um musical apenas com áudio?
Alguma inspiração? Eu já tenho um podcast há mais de seis anos e sempre pensei como seria interessante ter um musical neste formato. É algo que já existe nos Estados Unidos, não são muitos, mas existe. E daí comecei a pensar: “por que não?” (risos). Pensei muito por causa da popularidade que os podcasts vêm ganhando e também como resgaste do formato das rádio-novelas, embora eu não seja desta época. E também achei que seria um produto legal para as pessoas consumirem em diferentes situações, voltando do trabalho, por exemplo… Enfim, foram muitos motivos interessantes que me levaram à ideia do projeto.

O quanto de participação a pandemia tem neste projeto? Se não houvesse essa paralisação toda, faria da mesma forma em algum momento?
Acho que participação de 100% (risos). Eu e o Glauver já tínhamos essa ideia na cabeça tinha uns três anos, e aí veio a pandemia, tudo parou, os artistas fazendo seus trabalhos online… Então pensei “vamos fazer, esse é o momento”. Isto foi em abril do ano passado… A gente não sabia quanto tempo ia durar a pandemia, então pensamos que daria tempo de fazer. E foram 15 meses, de abril de 2020 a agosto de 2021. Tivemos que pensar a história, compor as músicas, mas o que demandou tempo mesmo foram as gravações. Não dava para reunir muita gente no estúdio, porque sempre tinha pico da pandemia ou alguém pegava a Covid…

Então a gravação deve ter sido complicada…
Foi um sufoco! Metade do elenco estava no Rio e outra metade, em São Paulo. As músicas foram todas gravadas em estúdios, cada um gravando sua parte. E as cenas, cada um gravou de casa… Algumas vezes, eu levava um microfone mais profissional para que o áudio não ficasse muito diferente de um ator para outro. Isto foi uma preocupação minha. E acho até que pode ter uma diferença ou outra, mas é bem discreto. Talvez perceba quem assistir mais de uma vez. Mas todo esse processo foi uma loucura! (risos)

E além da logística da gravação, foi uma preocupação também o formato do musical? Afinal, figurinos e coreografias são partes fundamentais de um espetáculo do gênero.
Até o lançamento, eu não sabia se ia dar certo, não sabia se as pessoas iam entender a proposta (risos). Até mesmo quando começamos a convidar os atores para fazer parte do projeto… A Cássia e o Wladimir têm experiência em musicais, mas nunca tinham feito nesse formato. A mesma coisa o Glauver, que já escreveu musicais, mas nunca para esta linguagem. E depois, no processo de edição, sempre voltava em algum ponto, via que estava faltando algo… Tudo porque não tínhamos experiências. Então, tivemos todas estas dificuldades e incertezas.

E por ser uma proposta tão diferente, foi preciso muito convencimento com algum artista ou todos toparam de primeira?
Não teve resistência. Muitos, eu já conhecia, eram amigos próximos. Outros, eu conhecia só de palco, admiração de artista apenas. Mas todos aceitaram de cara.

E o retorno do público? Está dentro das suas expectativas?
Tivemos um pré-lançamento, uma semana antes, para convidados. A ideia era ver a reação deles, e foi algo positivo. Fiquei feliz, porque tive respostas, as pessoas entenderam a história. Muita gente ficou até ansiosa pelos episódios seguintes. E era isso o que eu queria: um material novo que as pessoas se identificassem. A recepção foi bem gostosa! E não que a gente esperasse que tivesse muito mais acesso até aqui, mas o que queremos daqui para frente é que saia um pouco do meio teatral, que não alcance só pessoas que já curtem teatro musical. Esperamos sair desta bolha.

SERVIÇO
Disponível gratuitamente desde 13/08
Onde ouvir: Deezer, Spotify e outras plataformas digitais
Elenco: Wladimir Pinheiro, Cássia Raquel, Rodrigo Naice, Marino Rocha, Ana Nehan, Larissa Carneiro, Carol Berres, Jessé Bueno, Lucas Cândido e André Luiz Odin
Letra e música: Cássia Raquel e Wladimir Pinheiro
Diretor musical: Wladimir Pinheiro
Arranjos vocais: Cássia Raquel
Texto e direção: Glauver Souza
Produção, edição e finalização: Rafael Nogueira

Episódios
ATO 1 – Uma audição como outra qualquer
ATO 2 – Os miseráveis suspeitos
ATO 3 – Esse ensaio é um crime
ATO 4 – Esse musical é um sucesso

Músicas
Abertura (Wladimir Pinheiro)
Bom dia (Cássia Raquel)
Gira pra direita (Cássia Raquel)
Primeira Dama (Cássia Raquel)
Vamu tá viveno (Cássia Raquel)
Sangue (Wladimir Pinheiro)
Povo de humanas (Wladimir Pinheiro)
Bota (Wladimir Pinheiro)
Talvez tenha até coração (Wladimir Pinheiro)
Rotina de Ensaios (Cássia Raquel)
Um eterno quase (Cássia Raquel)
Cetro Poderoso do Império da Paixão (Wladimir Pinheiro)
Eu vou gritar (Wladimir Pinheiro)
Bom dia (Reprise) (Cássia Raquel)
Sua Alteza (Wladimir Pinheiro)
Muito tem me custado (Cássia Raquel)
Talvez fosse melhor (Wladimir Pinheiro)
Cetro Poderoso do Império da Paixão (Reprise) (Wladimir Pinheiro)
Cadê o ouro? (Cássia Raquel)
Vou acabar com a tua cara (Cássia Raquel)
Eu vou gritar (Reprise) (Wladimir Pinheiro)
Finale (Wladimir Pinheiro)


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