As peças românticas que me marcaram

Luciana Kezen

Luciana Kezen

35 anos, bacharel em Artes Cênicas pela UNIRIO, licenciada em Letras pela Estácio de Sá, atriz, escritora, tradutora e ávida leitora nas horas vagas.

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

Claro que sou fã de “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare. Quem não é? Uma linda tragédia romântica. “Uma paz sombria esta manhã traz consigo. O sol, para tristeza, não mostrará sua cabeça. Vá, portanto, para falar mais sobre essas coisas tristes. Alguns serão perdoados e outros serão punidos. Pois nunca houve uma história de mais sofrimento do que esta da Julieta e seu Romeu.”

Só que eu acho bem mais divertido as peripécias de Beatriz e Benedito em “Muito barulho por nada”, do mesmo autor. Pelo menos temos dois casamentos no final da peça. Não um funeral. Não que funerais sejam um problema.

Em “Fica comigo essa noite”, de Flávio de Souza, toda a peça se passa no funeral de Edu. Na peça, temos Laura, que sente pela morte do marido. Durante o espetáculo, vamos descobrindo a vida de casado deles. Nos divertimos, nos
entristecemos. Assisti a uma montagem na minha cidade natal, muitos anos atras. Achei uma graça. Gosto até do filme. Mas o casal principal também não está mais junto.

Quando assisti Guta Stresser e Marcos Palmeira me contarem a longa estória de Lia e Rodrigo, senti por eles não acabarem juntos também. Acontece! Nem todas as estórias de amor os casais terminam juntos. Em “Mais uma vez, amor”, de Rosane Svartman, Lulu Silva Telles e Ricardo Perroni, acompanhamos o casal dos 17 até os 97 anos. Lindo trabalho de escrita e dos atores em cena. Essa foi uma das peças que me marcaram. 80 anos de amizade, companheirismo. Cada um com seus devidos parceiros.

Eu já conhecia o filme, afinal quando nasci o filme já era velho. “Ensina-me a viver” é a adaptação teatral do filme, escrito por Colin Higgins. Tive o prazer de assistir a linda montagem com Gloria Menezes e Arlindo Lopes, fazendo os papéis principais, que dão o título da estória no seu original, Harold e Maude. Para quem não conhece a trama, Harold com quase vinte anos, e Maude tem quase oitenta. Harold, obcecado pela morte, convive com uma mãe indiferente e autoritária, numa relação desprovida de qualquer contato afetuoso. Maude, ao contrário, tem uma
paixão incomparável pela vida. Aproveita cada segundo de sua existência de forma alegre e juvenil. Eles ficam juntos um curto período apenas.

As peças românticas que me marcaram Foto: Deposiphotos

“O submarino”, escrito por Miguel Falabella, que do lado de Zezé Polessa, contam a estória de César e Rita. Com a frase de mote, que Miguel um dia leu em um parachoque de caminhão “casamento é como submarino. Até bóia, mas foi feito para afundar”, logo vemos que não vai dar certo esse casamento. Falabella teve a delicadeza de expôr a vida de um casal que se separa. Eles se amam. Eles têm diferenças. Eles não ficam juntos. Lembro que achei tudo tão possível quando assisti. Saí até um pouco abalada da peça. Vai ver era minha idade.

Aloísio de Abreu me fez soluçar de chorar com “Esse alguém maravilhoso que eu amei”. No palco, Marcelo Serrado e Cláudia Rodrigues, com os nomes de Ele e Ela, fizeram um casal de escritores que está passando por uma séria crise no casamento. Segundo o próprio Aloísio de Abreu, “a idéia partiu de como um casal de escritores teria a relação influenciada por suas obras. Embora os papéis sejam de neuróticos e malucos, eles tentam resolver uma situação limite e não se separar.” Ah… lindos.

Gosto de frases bem colocadas, mesmo que não sejam falas no meio do texto. John Cariani coloca como indicação no meio de uma de suas peças “Almost, Maine”, para o prazer de quem estiver lendo que “O amor é frequentemente descrito, afinal, como algo que enfraquece os joelhos da pessoa”. Sim. Já senti minhas pernas tremerem ao olhar uma pessoa que eu amava. Entendi a frase de Cariani na hora.

E já que comecei com Shakespeare, termino com ele também. Aquele camarada inglês sabia manipular as palavras tão bem quanto Machado de Assis. Em uma carta a Ofélia, Hamlet escreve: “Duvide do brilho das estrelas. Duvide do
perfume de uma flor. Duvide de todas as verdades. Mas nunca duvide do meu amor.”

Um aceno de mão efusivo e até a próxima semana.
Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para luciana.kezen@rioencena.com.

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