‘Eu, Chaplin’: uma loucura mais sensata do que o que vemos no noticiário diariamente

Luciana Kezen

Luciana Kezen

35 anos, bacharel em Artes Cênicas pela UNIRIO, licenciada em Letras pela Estácio de Sá, atriz, escritora, tradutora e ávida leitora nas horas vagas.

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Diferente das ultimas peças que eu assisti, “Eu, Chaplin” não foi produzida na pandemia. Me deparei com essa deliciosa peça durante minhas navegações por esse oceano virtual que chamamos de Internet. À0s vezes, quando muito acompanhada por Cafeína e Açúcar, me vejo passando pelas mais diversificadas variações atrativas online. Como compras bêbadas na Amazon, tudo vira uma surpresa.

Não fui exatamente atraída por uma capa, pois não vi um cartaz da peça no YouTube. Mas, sim, me senti descaradamente atraída pelo título. Não me decepcionei. Com texto de Leandro D’Errico, que foi livremente inspirado na autobiografia de Charles Chaplin (“Minha Vida”, 1964), esse espetáculo vai além da história de um dos maiores humoristas de todos tempos para pensar o próprio teatro e lançar observações sobre a construção da personalidade.

A trama começa com um encontro ficcional entre Chaplin e seu irmão Sid, num ambiente que alude a um consultório psiquiátrico. A partir daí, emergem episódios marcantes da vida do ator, que servem de suporte para uma discussão acerca do valor da arte e das angústias do artista. Em cena, Tadeu Pinheiro é esse jovem Charles, muito antes ao Carlitos que todos que todos conhecemos. Na pele de seu irmão Sid está o próprio autor dessa linda ficção, o Leandro D’Errico. E completando o elenco Fernanda Zaborowsky se desdobra em alguns papéis, incluindo o da mãe
do Chaplin. Ralph Maizza assina a direção.

A trama do espetáculo se passa num manicômio Foto: Divulgação

Muito me agradou a ideia de assistir esse espetáculo protagonizado por um artista que se passa em uma instituição para saúde mental. Me fez pensar bastante que aqui no Brasil, onde a arte não só não é valorizada, mas também é
constantemente menosprezada, nós que escolhemos trabalhar nesse ramo só podemos ter um certo distúrbio mental. Viver em um país onde professores são ditos como pessoas “que não conseguiram fazer outra coisa na vida”, encarar a realidade de quem procura o conhecimento real de um fato só pode sinal de loucura mesmo.

“Eu, Chaplin”, da Cia. Imperial do Brasil, disponibilizou a peça no YouTube. Não sei se por tempo indeterminado ou não. Só que se eu fosse você, corria logo para assistir. Afinal, essa estória, que se passa dentro de um manicômio, é muito mais sensata do que muitas declarações que vejo no noticiário diariamente.

Um aceno de mão efusivo e até a próxima semana.
Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para luciana.kezen@rioencena.com.

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