Juntos, mesmo à distância

Luciana Kezen

Luciana Kezen

35 anos, bacharel em Artes Cênicas pela UNIRIO, licenciada em Letras pela Estácio de Sá, atriz, escritora, tradutora e ávida leitora nas horas vagas.

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Com a pandemia de 2020, veio também uma grande necessidade de saber como as outras pessoas estão. Ter certeza que elas estão bem. Foram criadas linhas de auxílio à depressão e solidão pelo mundo todo. Aparelhos eletrônicos conectados online por horas.

Muito antes da pandemia, por questões de viagens, me vi achando divertido passar tempo com as pessoas por câmera online. Em 2009, meu irmão e eu ficamos distantes um do outro por quase oito meses. Estávamos acostumados a morar juntos até então. Ele com 24/25 anos e eu com, 22/23. No começo foi fácil. Perfeito. Mas com o passar dos meses começamos a sentir falta de conversar vez ou outra. Que engraçado. Vivíamos brigando quando juntos. Um dia rolou, não sei de quem: – O que você está fazendo? – Nada. Vou fazer o almoço. – Eu também. Vamos almoçar juntos. Liga o computador. E fizemos o almoço juntos naquele sábado. Não lembro quem comeu o quê.

Lembro das risadas, que conversamos bastante. Falamos das curiosidades dos lugares onde estivemos ou estávamos. Lembro de um momento perfeito, quando eu acendi um cigarro na sala, de frente à câmera, e meu irmão logo reclamou: – Pô! Cê tá fumando na sala. Vai pra varanda. – Bicho. Cê tá em Paris e eu, no Rio de Janeiro. Não vai me dizer que o cheiro tá te incomodando?! Até hoje rimos dessa.

Quando completei 30 anos, eu morava em Nova York. Meus amigos daqui estavam me perguntando o que eu ia fazer, como ia comemorar… E eu disse, “sozinha”. Estava em um país estrangeiro, sem amigos íntimos, e meu aniversário cairia no feriado da Páscoa. Até as meninas que moravam comigo foram passar o feriado com suas famílias. Então, eu ia estar sozinha. No dia do meu aniversário, eu recebi flores com um cartão do Brasil, e um endereço online para entrar. Meus amigos me mandaram flores, e escreveram para mim. Eu não estava sozinha.

Desde a adolescência tenho o costume de assistir a programas de televisão ou filmes com amigos. Mas, como fazer isso morando em países diferentes. Ué, por chamada de vídeo. Simples.

Tive um amigo com quem costumava passar muito tempo junto. Mudar de cidade não foi um problema. Nos encontrávamos de tempo em tempo. Agora mudar de país foi difícil. Até aprendermos a usar melhor a tecnologia à nossa volta. Cozinhamos, assistimos filmes, demos faxina na casa, chegamos até a pegar no sono com a câmera ligada no computador uma vez. Na minha fase em terras estrangeiras, muitas vezes caminhei nas ruas de Nova York com amigos brasileiros. Era divertido. Fui a dois casamentos via internet, um dos quais fui madrinha e apareci em várias fotos. Segunda a própria noiva, eu apareci em mais fotos do que alguns convidados que estavam fisicamente presentes. Foi lindo! O aniversário de um ano do meu sobrinho, eu estava presente. Tem uma foto do meu sobrinho do lado de um iPad com o meu rosto. Alias, se eu pudesse iria a todos aniversários dele via Internet até ele completar 18 anos. Mas a família não deixa.

De certa forma, podemos fazer varias atividades juntos à distância. Se sentir isolado, sem saída, pode levar a um problema maior. Não hesite em ligar para os parentes e amigos. Fazer chamadas de vídeo incluindo alguma atividade, ou só programar uma ligação mais demorada com seus avós ou pais ou filhos, pode ser de um grande alívio. Estar junto, mesmo à distância.

Um aceno de mão efusivo e até a próxima semana!
Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para luciana.kezen@rioencena.com.

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