Luto: relembre artistas que nos deixaram em 2020

Do Rio Encena

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José Mojica Marins, o Zé do Caixão Foto: Divulgação
Flavio Migliaccio, ator e diretor Foto: Divulgação
A veterana Daisy Lúcidi Foto: Simone Marinho/Divulgação
A atriz Chica Xavier Foto: Reprodução/ Instagram Luana Xavier
O veterano ator Gésio Amadeu Foto: Divulgação
O ator Cecil Thiré Foto: Reprodução/Canal Viva
João Madeira, criador do Prêmio Shell Foto: Divulgação
João Madeira, criador do Prêmio Shell Foto: Divulgação
O ator de teatro e TV Eduardo Galvão Foto: Divulgação
A experiente atriz Nicette Bruno Foto: Paula Kossatz/Divulgação

Muitas foram as perdas para a cultura em 2020. Algumas delas, inclusive, em decorrência do mal que assolou o ano: a Covid-19. Como forma de homenagem, o RIO ENCENA recorda abaixo atores e atrizes do teatro, da TV e do cinema brasileiros que partiram nos últimos meses, deixando para o público as lembranças de sua arte.

José Mojica Marins, o Zé do Caixão Foto: Divulgação

José Mojica Marins, mais conhecido como Zé do Caixão, faleceu no mês de fevereiro – antes que a pandemia do novo coronavírus fosse consolidada no Brasil – vítima de uma broncopneumonia, aos 83 anos. Mais ligado ao cinema, como ator e diretor, fez carreira no gênero do terror.

 

Flavio Migliaccio, ator e diretor Foto: Divulgação

Em maio, o país foi pego de surpresa com a morte de Flávio Migliaccio. O ator e diretor, de 85 anos, foi encontrado morto em seu sítio no município de Rio Bonito, no Rio. Na ocasião, o boletim de ocorrência divulgado pela polícia militar decretou a causa da morte de Flávio – que deixou uma carta para família falando das dificuldades da terceira idade no Brasil – como suicídio. Em 2018, ele comemorara 60 anos de carreira com o espetáculo “Confissões de um Adolescente”.

A veterana Daisy Lúcidi Foto: Simone Marinho/Divulgação

No mesmo mês, Daisy Lúcidi faleceu aos 90 anos devido a complicações da Covid-19. A atriz começou no teatro ainda criança. Aos 6 anos, ela foi acompanhar o pai nos ensaios de um espetáculo amador e acabou ganhando uma personagem na montagem que estreou no Teatro Dulcina.

A atriz Chica Xavier Foto: Reprodução/ Instagram Luana Xavier

Já em agosto, Chica Xavier, um dos nomes mais representativos entre artistas negros no Brasil, morreu aos 88 anos devido a um câncer. Francisca Xavier Queiroz de Jesus nasceu em Salvador (BA), em 1932. Cerca de 20 anos depois, ela se mudou para o Rio de Janeiro, onde começou a estudar teatro. Pouco tempo depois, ainda na década de 1950, fez parte do elenco da famosa montagem “Orfeu da Conceição”, com texto de Vinicius de Moraes. No Theatro Municipal, ela fez a personagem Dama Negra, que simbolizava a Morte, e atuou ao lado de nomes como Haroldo Costa, Léa Garcia, Cyro Monteiro, Dirce Paiva e Clementino Kelé, seu marido na época.

O veterano ator Gésio Amadeu Foto: Divulgação

Também em agosto, Gésio Amadeu faleceu aos 73 por complicações causadas pelo coronavírus. Ele havia se tornado conhecido pelo grande público por personagens na TV, como o Chico em “Chiquititas” (SBT) nos anos 1990 e o Tio Barnabé, do “Sítio do Pica Pau Amarelo” (Globo), na década seguinte.

O diretor e ator Cecil Thiré Foto: Reprodução/Canal Viva

No mês de outubro, Cecil Thiré, que havia anos enfrentava o Mal de Parkinson. morreu aos 77 anos. Ele era filho único da atriz Tônia Carrero (1922-2018) e do artista plástico Carlos Arthur Thiré (1917-1963). No teatro, onde estreou nos anos 1960 com “Descalços no Parque”, fez mais de 30 espetáculos. Muitos deles, inclusive, como diretor, função na qual estreou em 1971, numa montagem de “Casa de bonecas”, de Henrik Ibsen. Já na TV, ficou conhecido do grande público nas diversas novelas das quais participou. Entre seus papéis de destaque, estão o vilão homossexual Mário Liberato, em “Roda de fogo” (1986), e o mordomo Adalberto, o assassino revelado apenas no último capítulo de “A próxima vítima” (1995). Na telinha, seu último trabalho foi a novela “Máscaras”, da Record, onde estava desde 2006.

João Madeira, criador do Prêmio Shell Foto: Divulgação

Ainda em outubro, João Madeira, criador do Prêmio Shell de Teatro, a mais antiga premiação do setor no Rio, morreu aos 76 após sofrer uma queda em casa. Ex-executivo da gigante do ramo de combustíveis – e com passagem também por outra grande corporação, a Coca-Cola – João criou a premiação específica para o teatro em 1988, já que desde 1981 havia o Prêmio Shell de música. Entre 2009 e 2015, ele fez parte do júri que escolhia os espetáculos vencedores.

O ator e dublador Jonas Mello Foto: Divulgação

Em novembro, Jonas Mello foi encontrado morto em seu apartamento, em São Paulo. Segundo a família, ele morreu de causas naturais, aos 83. Atualmente, está no ar com a reprise da novela “Flor do Caribe” (Globo), seu último trabalho na TV. Ao longo da carreira, fez muitas dublagens em desenhos animados, como, por exemplo, “Cavalheiros do Zodíaco” (TV Manchete).

O ator de teatro e TV Eduardo Galvão Foto: Divulgação

Já em dezembro, no última dia 07, Eduardo Galvão morreu aos 58 anos, vítima da Covid. No início do mês, o ator deu entrada na UTI de um hospital na Barra da Tijuca com cerca de 50% dos pulmões comprometidos. Ele chegou a ser intubado, mas não resistiu. No teatro, entre 2008 e 2009, se apresentou com o espetáculo ” Gloriosas – A Vida de Florence Foster”, no qual contracenou com Marília Pêra (1943-2015) e Guida Viana. A peça passou pelo Teatro Abel, em Niterói, e marcou a inauguração da sala I do Teatro Fashion Mall, em São Conrado. Já em São Paulo, no ano de 2011, integrou o elenco de “As Bruxas de Eastwick”, da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho. Já na na TV, cumpriu a maior parte de sua bem sucedida carreira. O ponto alto foi com a série infantil da TV Globo “Caça Talentos”, na qual interpretava o produtor Arthur e contracenava com Angélica.

A experiente atriz Nicette Bruno Foto: Paula Kossatz/Divulgação

Também no último mês de 2020, o teatro perdeu um importante e carismático nome. Nicette Bruno, com 70 anos de carreira, cerca de 50 trabalhos na TV (entre novelas e séries) e mais de 30 no teatro, nos deixou, também vítima do novo coronavírus. A atriz foi casada com o também ator Paulo Goulart (1933-2014) por 60 anos e, com ele, teve três filhos: Beth Goulart, Bárbara Bruno e Paulo Goulart Filho, todos profissionais das artes. Nascida em Niterói, Nicete Xavier Miessa começou nas artes muito cedo, cantando num programa infantil na extinta Rádio Guanabara, onde declamava e cantava. Entre seis e 11 anos, estudou música e participou de grupos de teatro até a estreia nos palcos, ainda com 12 anos. Seu primeiro trabalho diante de uma plateia foi em 1945 e logo de cara com um clássico de Willian Shakespeare (1564-1616), numa versão de “Romeu e Julieta”. Ainda nos anos 1940, fez parte do elenco de “Anjo Negro” (1948), “Os Homens (O Mundo é Nosso)” (1948) e “O Balão que Caiu no Mar” (1949). Já na década seguinte, continuou marcando presença no teatro atuando em espetáculos como “Ás Águas” (1950) e “A Compadecida” (1959).

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