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‘Partida’ é um acerto com direção metalinguística e texto delicioso sobre carta de fim de romance nunca enviada

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35 anos, bacharel em Artes Cênicas pela UNIRIO, licenciada em Letras pela Estácio de Sá, atriz, escritora, tradutora e ávida leitora nas horas vagas.
Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Nos encontramos em uma situação nada animadora. Não consigo não comentar o que acontece no Brasil, semanalmente. Com os números de infectados e mortes voltando a subir no país, sinto um pavor que nunca me atingiu antes. Mas sinto dando murro em ponta de faca quando percebo que muitas das pessoas que votaram no governo atual acham que os governantes estão realizando um bom trabalho.

Então, como sempre, vou atrás de consolo em trabalhos artísticos, que por sua vez, conseguem me entreter, nem que seja por poucos minutos, de alguma maneira e penso “sim, ainda há arte de qualidade, ainda temos uma chance”. E nesta semana, resolvi falar sobre “Partida”, de Inez Viana, que está em temporada online de sexta a domingo, às 19h, até dia 27 de junho.

Em 1999, uma mulher de 74 anos vai ao teatro assistir a uma peça de teatro, “Partido”, do Grupo Galpão, uma adaptação do romance “O Visconde Partido ao Meio”, de Italo Calvino. A mulher tem um amante, que é trinta anos mais novo do que ela. E, nisto, enquanto estava assistindo ao espetáculo do Grupo Galpão, decide escrever uma carta e terminar o relacionamento com o amante que está do seu lado. Só que a carta acaba não sendo enviada. Uma premissa bem inusitada, não é?

“Preciso contar-lhe por escrito aquilo que não sei fazer pronunciando em palavras.” Então, “Partida” é uma peça inspirada nessa carta que a mulher escreveu. E te digo uma coisa: fiquei com muita vontade de ler essa carta!

Em cena, Inez Viana e Denise Stutz são duas artistas que estão criando a peça sobre a tal carta. Sentadas na plateia de um teatro, as duas artistas fazem suas próprias cogitações sobre em que momento teria surgido a ideia da carta, motivos para o termino do relacionamento, por que a carta nunca foi enviada, hábitos da mulher que a escreveu… É uma delicia de texto!

Debora Lamm dirige esses 35 minutos de espetáculo com a câmera parada, pegando as atrizes de frente. Regada de metalinguagem, não só no texto, como também na direção, Debora consegue ironizar varias características que já estamos carecas de assistir na chuva de lives que nos afogam durante esta interminável pandemia.

Chegamos pela porta da frente do teatro e somos levados a não só essa conversa de cogitações das duas artistas em cena, como também ao próprio cenário em 1999 quando a carta foi escrita. Chega a dar gosto de ver a intimidade de Inez Viana e Denise Stutz em cena. Suas interpretações se completam, junto com a irônica direção de Debora Lamm e o texto da própria Inez. Esta peça tem um tom que se manterá por muito tempo por vir.

Dúvidas, críticas ou sugestões, envie para luciana.kezen@rioencena.com.

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