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‘Pessoas Perfeitas’, d’Os Satyros, é de 2014, mas parece ter sido escrita na pandemia

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35 anos, bacharel em Artes Cênicas pela UNIRIO, licenciada em Letras pela Estácio de Sá, atriz, escritora, tradutora e ávida leitora nas horas vagas.
Tempo estimado de leitura: 2 minutos

Em que ano nós estamos? Às vezes, me sinto na necessidade de fazer esta pergunta. Mesmo olhando o calendário semanalmente – porque é assim que se marca uma gravidez – por vezes, fico na dúvida mesmo se estamos em 2021. Como que consigo acompanhar o que está acontecendo no Governo Brasileiro e, ao mesmo tempo, assimilar o fato de que estamos, sim, em pleno Século XXI? É difícil, é bem difícil mesmo. Contamos mais de 590 mil mortos no Brasil em uma pandemia que atinge o mundo todo. A situação no estado do Rio de Janeiro não parece estar melhorando. E eu continuo procurando por opções de teatro online.

Do ano passado para cá, tomei conhecimento do grupo teatral Os Satyros. Já falei deles antes aqui na coluna e passei a acompanhá-los um pouco, já que nos encontramos em estado pandêmico. Não tenho me decepcionado! Uma característica que me chama atenção n’Os Satyros é o futurismo das peças que assisti. Esta semana foi a vez de “Pessoas Perfeitas”, que parece que foi realizada em tempos pandêmicos, no entanto, uma pequena pesquisa me levou a descobrir que essa peça foi concebida há cerca de seis anos. Incrível mesmo!

Também tomei conhecimento de que “Pessoas Perfeitas” faz parte de uma trilogia da companhia. Muito intrigante. Fiquei ainda mais curiosa.

“Pessoas Perfeitas” é uma uma peça da companhia Os Satyros Foto: André Stefano/Divulgação

Em “Pessoas Perfeitas”, temos um um olhar sobre moradores anônimos de uma grande metrópole que, apesar de suas diferenças abissais, acabam se encontrando e convivendo. Logo de cara, cheguei a pensar que seriam retratados
recortes paralelos, sem ligação, das personagens apresentadas. Gostei como a dramaturgia de Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez vai fazendo as conexões das histórias.

Robalo e Cacilda são um casal. Eles são pais de Binho, um garoto de programa, que começa um relacionamento com Medalha. Robalo se distrai com a linha de disk-relacionamento onde conhece Sara, que na verdade é Ruy. Ruy mora
com sua mãe doente e é irmão de Maristela, que canta em bares onde conheceu Elder. Essas figuras não aparentam ter nada em comum, mas se cruzam na mesma esfera social.

Nessa teia de conexões, destaco a interpretação de Sabrina Denobile na pele de Maristela. Eu estava quase sentindo o cheiro do cigarro que ela fuma. Sabrina tem uma bela voz e a utiliza muito bem nos diálogos de cena e cantando.

Pressenti a morte que Maristela parecia ignorar.

Os figurinos e maquiagens são caricatos, seguindo o propósito da trama. Os cenários são telas projetadas, não físico. Funciona! Inclusive, ajuda a imaginar esse âmbito futurista que fica em mente, sem taxar exatamente uma época muito
especifica, meio que deixando claro que está tudo acontecendo agora. Enfim, vale a pena conferir mais esse trabalho da premiada companhia Os Satyros.

SERVIÇO

Local: Sympla Streaming | Sessões: Sextas e Sábados às 21h; domingos às 20h | Temporada: 20/08 a 101/10 | Elenco: Ivam Cabral, Fábio Penna, Henrique Mello, Julia Bobrow, Eduardo Chagas, Fernanda D’Umbra e Sabrina Denobile | Direção: Rodolfo García Vázquez | Texto: Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez | Classificação: Não informada | Entrada: R$ 10 (ingresso colaborativo) ou Gratuita | Bilheteria: Sympla | Gênero: comedia, drama, Drama cômico | Duração: 120 minutos


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